quarta-feira, 6 de julho de 2016

Um jogo cheio de falhas, mas divertido!


Depois que os comedores de cérebro apareceram no cinema pela primeira vez, tornaram-se rapidamente um dos monstrengos mais adorados do público. No inicio eles eram lentos, mas devido ao fato de se locomoverem em bandos e avançar sobre suas vitimas sem sentir dor ou medo, se transformavam em predadores muito perigosos.
Hoje os zumbis modernos correm, planejam ataques e alguns possuem ate mesmo capacidades para usar ferramentas e armas. Estão muito mais letais e sanguinários.
Nos games a trajetória destas criaturas também não poderia ser diferente. Desde que os bichinhos em decomposição brilharam nos consoles caseiros com Resident Evil, um monte de outros jogos começaram a surgir de todos os cantos, as vezes acrescentando alguma novidade aqui e ali, outras vezes simplesmente aproveitando a onda do momento e o apelo popular que os comedores de carne possuíam.Depois de um tempo porem as pessoas começaram a imaginar como seria um game de mundo aberto, numa cidade infestada de zumbis. Mutos pediam um game nesta direção e com o passar do tempo alguns títulos iam surgindo com algumas novidades interessantes. Mas quando Dead Island foi anunciado (e da forma que foi anunciado!), as "zumbietes" ficaram simplesmente alvoraçadas e o hype encima do titulo da Techland foi para as alturas.
(Segue o trailer para quem nunca assistiu. Se você for pai ou mãe, tente não sentir muita empatia na situação ou um suor pode descer por seus olhos.)
OBSERVAÇÃO FORA DE CONTEXTO:O termo "zumbiete" é uma mistura de tiete+zumbis e eu criei a muito tempo atras para definir aquela galera que simplesmente é aficionada pelos monstrengos rastejantes (atualmente velocistas). Não sintam-se ofendidos galera, ate porque, eu criei este termo para definir a mim mesmo e ao meu irmão mais novo, de uma forma descontraída enquanto assistíamos Madrugada dos Mortos, muitos anos atras... :) Voltemos a analise:
O grande problema de Dead Island começou justamente ai: Na forma como ele foi apresentado ao publico. Quem viu aquela cena em computação gráfica, com aquela trilha sonora marcante e depois escutou os técnicos da desenvolvedora anunciando que seria um jogo de mundo aberto, simplesmente pirou!O trailer do game era completamente envolvente e todos imaginaram que finalmente iriamos ver um titulo de zumbis que faria nos games a mesma coisa que The Walking Dead fez na tv. Infelizmente estas pessoas não poderiam estar mais enganadas. Vamos começar falando então do enredo do game, sempre sem spoilers:
A trama de Dead Island é pura e simplesmente um emaranhado de clichês, tanto na parte contextual de seus "mistérios" (que são apresentados pelos arquivos files e pelas gravações de áudio que coletamos ao longo da campanha) quanto nas situações vivenciadas pelos protagonistas durante a aventura. É muito fácil prever o que vai acontecer (ou não vai acontecer) e adiantar muitos pontos da historia. Isso não quer dizer que isso é necessariamente ruim, mas o modo como o jogo foi apresentado ao mercado tornou esta uma das maiores decepções de Dead Island; já que muitas pessoas compraram o game (inclusive em pre venda à preços exorbitantes) buscando "aquele" envolvimento emocional que o trailer do jogo nos fez sentir pelo pai de família que lutou heroicamente ate o final para tentar salvar a vida de sua filha! Alem do fato de o jogo não conseguir fazer agente se importar com NENHUM personagem durante a partida (ate mesmo naqueles instantes forçados em que tocam uma musiquinha triste ou duas) as cutscenes do game são simplesmente horríveis e parecem feitas por uma equipe muito amadora.
Se vocês nunca jogaram Dead Island podem ate pensar que estou pegando pesado demais com o game, mas eu não estou pegando pesado não! A movimentação dos personagens durante as cenas é simplesmente horrível e "dura"; quando não nos passa a sensação de que todas as pessoas da sala são robôs com pouca lubrificação nas articulações, agente acha que os movimentos deles foram capturados de chimpanzés ou gorilas. É tudo bastante artificial e sem vida. As expressões dos personagens (com exceção dos protagonistas) são praticamente estáticas, e a forma como se mechem na hora que estão falando com agente é pior ainda. Para piorar ainda mais o quadro, existem pouquíssimos modelos de NPCs no jogo e muitas vezes você vai conversar, resgatar e matar a mesma pessoa!
O jogo, apesar de ter sido anunciado como open world não  é de fato. Isso porque a estrutura do jogo não te ajuda se você sair explorando o mapa por vontade própria (como num jogo de mundo aberto real). Alguns itens importantes de missão ou mesmo residencias não vão estar abertas ate que você aceite alguma side quest que te obrigue a ir para la. Ate mesmo alguns NPCs deixam de aparecer se você não pegar a missão correspondente onde a interação com ele é necessária. Portanto se você ainda não jogou Dead Island e pretende faze-lo aqui vai minha dica: Quando estiver em um abrigo de sobreviventes apanhe todas as missões que puder pegar (sejam main quests ou sidequests). Quando deixar o abrigo vá concluindo as missões em "ordem de distancia" - das mais próximas para as mais distantes - e volte ao abrigo apenas quando tiver resolvido todas elas. Desta forma você não perde tempo indo e voltando no mapa e ainda garante que ira explorar cada cantinho da ilha.
Vamos então terminar de falar dos pontos fracos do game para que depois agente posa analisar os positivos? Pois bem, sigamos então:
Outro ponto negativo (e um pouco chato para aqueles jogadores que buscam um pouquinho de imersão no ambiente do game é que o modo multiplayer de Dead Island é bem estranho. Não é como em Left For Dead 2 por exemplo, onde os 4 sobreviventes ficam juntos e quando alguém se une a partida, assume o controle de algum personagem que antes era controlado pela IA. Em Dead Island o jogo nos passa uma mensagem durante as cutcenes (onde os 4 sobreviventes SEMPRE aparecem juntos (seja nos abrigos ou no meio da selva densa) mas quando estamos no single player não vemos nenhum outro personagem com agente (nem com IA nem com nada; apenas nós, forever alones! Quando um outro player se une a partida as coisas podem piorar ainda mais: Desconsiderando o fato de que o personagem do seu parceiro de jogo simplesmente aparece do nada, como se fosse um X-Man teleportador, ele vai aparecer com o personagem que estiver jogando em sua própria partida, ou seja: Se for o mesmo personagem que o seu você ira ficar toda a partida multiplayer com um clone te acompanhando e auxiliando. Claro que isso quebra qualquer imersão que você tente criar. Por isso mais uma dica: Se estiver querendo imersão, é melhor jogar offline mesmo, pois é melhor tentar explicar sua solidão no cenário com algo do tipo "opa, dai eles se encontraram e aquela cena aconteceu" do que tentar arrumar uma explicação para um multiplayer com 3 clones seus: "Bem isso é... hum... ilusão causada pela infecção?!
Como todo game de mundo aberto (ou semi-aberto, como prefiro encarar Dead Island) você vai encontrar uma penca de bugs muito interessantes. Alguns vão fazer você cair na gargalhada, ou ate mesmo gravar um vídeo para postar no you tube e tirar um sarro do jogo, mas outros por outro lado faram você ficar com muita raiva!
Os Bugs mais comuns são de zumbis travados em algum espaço do cenário, ou a IA que desliga e o seu inimigo fica la estagnado no meio da cidade, só esperando você mata-lo. Os bugs mais raros e que geram bastante raiva é quando você lança uma arma sua em algum carniceiro safado e arma depois desaparece; fica ainda pior se a arma era aquela sua arma modificada, que você gastou uma grande quantidade de peças e grana para turbinar... Ai, que saudades do meu machado elétrico +5. :(
Fora estes defeitos mais comuns ainda existem muitos outros que eventualmente aparecem na internet para encorpar a lista. Não vou ficar falando muito disso se não minha critica vai ter 10 paginas.
Ok gente, agora que falamos de todos os problemas do game, vamos falar de seus pontos positivos e de tudo que me prendeu nele por mais de 60 horas (sem contar as muitas horas jogando as versões piratas!) e que ainda me levou a comprar a sequencia e continuar toda a aventura: Vamos começar pela ambientação e pelos gráficos!
Se por um lado a movimentação dos protagonistas e NPCs durante as cutscenes são horríveis, por outro lado, a atração central do game (os zumbis) tiveram uma atenção super especial. Existem um monte de tipos de zumbis diferentes, correndo e se arrastando por tudo quanto é parte do mapa. Seus movimentos são realmente muito bacanas e convincentes e a parte sonora esta de parabéns. Variados tipos de vozes ecoam dos monstrengos, algumas agressivas, outras arrastadas (ao melhor estilo Romero), e se o seu foco no game for matar e esquartejar zumbis, Dead Island foi feito pra você.
O visual do game é absurdamente incrível (era ainda mais impressionante na época de lançamento) e os cenários e as paisagens, alem de muito variadas e interativas, te deixam de boca aberta o tempo todo. Muitas das vezes você vai se pegar parado, olhando para o horizonte ou para o longe, apenas observando as ondas das praias e o vento nos coqueiros, ou a detalhada cidade destroçada pela infecção e pela luta pela sobrevivência ou mesmo, simplesmente reparando o trabalho cuidadoso que a galera deu na floresta densa e fechada, com surpresas a cada desvio de rota.
Realmente o visual de Dead Island e as cenas de decapitação e mortes dos nossos amigos zumbis, são alguns de seus carros chefes. Se a Techland tivesse anunciado o jogo como algo "mais Arcade" e focado "Na diversão de se explorar cenários enormes e de decapitar zumbis" a recepção do game teria sido completamente outra.
E já que falamos de exploração: Em Dead Island explorar o ambiente de jogo, alem de não ser entediante é extremamente recomendado. Não é entediante porque em cada canto do cenário que você vai fuçar ou explorar (seja por conta própria ou seguindo uma quest) vão existir itens para apanhar. De dinheiro a materiais diversos, explorar bem o game permite melhorar as armas mais rapidamente assim como também ira ajudar no enriquecimento do seu personagem. Não sei se é certo dizer isso, mas pra mim me pareceu ser bem difícil enriquecer em Dead Island. Eu sou aquele tipo de player que checa varias vezes uma sala, apenas para ter certeza que não deixei passar nenhum item pelo caminho. Tirando o fato de que, mesmo jogando deste jeito, ei ainda deixei escapar 13 cartões ids (terminei o game com 87/100), por mais que eu achasse que tinha muito dinheiro guardado, era só comprar a melhor arma disponível em um determinado momento, modificá-la com os meus melhores mods, melhora-la no nível máximo permitido (+5) e pronto, la se foi metade de todo o meu suado dinheiro. Imagino que jogar Dead Island sem explorar os ambientes deva ser bem mais desafiador e aumentar um pouco maís a dificuldade (já que o jogador só carregará equipamentos medianos para as batalhas).
A parte sonora do game também não deixa a desejar. As músicas não são la essas coisas e uma ou outra ate conseguem entrar na sua cabeça (devido ao fato de serem repetidas muitas vezes) mas o destaque mesmo fica por conta do som na parte da ambientação. Do barulho do mar e dos pássaros nas praias, ao som das arvores nas floresta fechada, tudo muito convincente e as luzes apagadas e um belo fone de ouvido podem te transportar fácil para aquele ambiente hostil - que mistura magistralmente a beleza de um local turístico com o inicio e a destruição de um apocalipse zumbi.
Os comandos do jogo são simples e respondem bem, não da para reclamar. Dead Island talvez esteja entre um dos melhores games que conseguem casar a câmera em primeira pessoa e os combates com armas brancas. Ponto para a Techland aqui.
No inicio do game precisamos escolher entre quatro personagens principais (5 se vocês tiverem a DLC que explica um pouco como tudo começou.) Cada personagem possui um "estilo de gameplay diferente" que vai casar perfeitamente com o seu estilo pessoal. Temos a Purna, que possui habilidades com armas de fogo (e portanto é mais recomendável para jogadores que ainda preferem meter bala na cabeça dos zumbis). Temos o Logan, que seria uma especie de "arqueiro" do grupo (possui habilidades com lançamento de armas e também gosta de um porre de álcool). Temos o Sam B, que seria basicamente um Tanker (bem forte com armas pesadas e de contusão e também bastante resistente) e por fim temos minha personagem favorita Xian Mei (personagem mais focada no Stealth e em matar com espadas ou armas afiadas). Apesar de cada personagem possuir uma historia inicial realmente interessante, infelizmente nada vai mudar na trama do game e muito menos veremos mais do passado deles durante a jogatina - só muda mesmo o gameplay entre cada um. Infelizmente uma bola fora da Techland.
Dead Island é basicamente aquilo que descrevi no texto da critica: É um game muito mal acabado e cheio de bugs mas ainda assim consegue ser divertido. Isso o deixa encima do muro. Ele não é um jogo bom mas também não é um jogo ruim. Sua avaliação final do game vai se basear naquilo que você buscou quando adquiriu o titulo: Se você queria historia ou cutscenes iradas no estilo do trailer oficial do game, com certeza você vai achar o jogo um verdadeiro pé no saco! Mas se você quer apenas explorar cidades durante um apocalipse zumbi e buscar naos mais do que violência visual e confronto com monstrengos no melhor estilo J.Romero, então você com certeza vai gostar do game. Não a ponto de dizer que  é o seu jogo preferido (afinal hoje nos temos Dying Light, também da Techland, que segue todas as receitas inicias de Dead Island mas de uma forma muito bem trabalhada, caprichada e funcional) mas, assim como eu, você pode acabar jogando-o por horas a fio e ate perder a noção do tempo.
É isso ai jovens, um abraço!

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