Para algumas pessoas você pode ser um “indivíduo bobo pouco exigente”, mas para a Ciência e a Psicologia, você tem um cérebro muito bem desenvolvido para o convívio social...
Tudo começou quando peguei um Playstation 3 emprestado com um amigo meu e resolvi testar um dos games mais aclamados do console da Sony: The Last Of Us. O que aconteceu depois dos primeiros 30 minutos de gameplay realmente me deixaram surpreso: O meu coração disparou, minha respiração ficou entrecortada, meus olhos se encheram de lágrimas e levei minha mão livre à boca...
Tudo começou quando peguei um Playstation 3 emprestado com um amigo meu e resolvi testar um dos games mais aclamados do console da Sony: The Last Of Us. O que aconteceu depois dos primeiros 30 minutos de gameplay realmente me deixaram surpreso: O meu coração disparou, minha respiração ficou entrecortada, meus olhos se encheram de lágrimas e levei minha mão livre à boca...
Foi a primeira vez que me emocionei com jogos? Não, não foi. Quando falo unicamente de mim posso afirmar à vocês que isso acontece com muita frequência. Não apenas nos games: Livros, filmes, seriados e alguns desenhos também são capazes de me emocionar (tanto de forma boa quanto ruim: Da alegria à raiva, da tristeza à felicidade.). Mas The Last Of Us me impactou por ter me levado ao máximo da comoção em um jogo de videogame. Resolvi então que escreveria um artigo sobre este sentimento na internet, mas logo me deparei com outra curiosidade: Muitas pessoas não sentiram absolutamente nada com este jogo (e com muitos outros jogos que me despertaram inúmeras emoções)!
Decidi então que meu artigo seria focado nesta significativa diferença de pontos de vista. Mas eu não queria criar um artigo com a minha opinião sobre o tema e abordar uma discussão (isso poderia abrir espaço para aquelas velhas e conhecidas briguinhas da rede com o tema “Porque amo ou odeio este joguinho”?)! Eu vou usar apenas o que a ciência descobriu sobre este assunto e o que a psicologia tem a nos contar sobre os intrínsecos mistérios da mente humana.
Depois de 6 meses lendo revistas científicas, livros de psicologia, artigos e sites sobre o assunto, entendi um pouco a forma como o nosso cérebro funciona com as emoções. Num primeiro momento é importante frisar que, longe do que você imagina, o individuo quase não possui poder sobre suas emoções. Tudo o que acontece com nosso corpo, inclusive se comover ou se assustar, são resultados de processos químicos internos liberados por gatilhos automáticos que reagem de forma específica em cada situação. O cérebro é um órgão extremamente complexo. Mais de 100 bilhões de células nervosas compõem uma intrincada rede de comunicações que é o ponto de largada para tudo o que sentimos, pensamos ou fazemos. Algumas dessas comunicações levam ao pensamento e à ação consciente, ao passo que outras produzem respostas autônomas. A resposta ao medo e a comoção é quase inteiramente autônoma: não a disparamos conscientemente. Como as células do cérebro estão constantemente transferindo informações e iniciando respostas, há dúzias de áreas envolvidas nestes sentimentos.
Mas claro que estas são duas emoções diferentes e, por isso mesmo, vou aborda-las separadamente. Vamos inicialmente falar da comoção:
Basicamente a grande responsável por nos fazer ficar comovidos ao assistirmos às cenas de alguns jogos, filmes, desenhos e séries é a empatia. Uma capacidade de sentir e se comover com as emoções e os sentimentos dos outros como se fossem os nossos próprios sentimentos. Todo esse sistema basicamente depende de um bloco central do cérebro chamada Insula, que participa de um esquema complexo responsável por nossas emoções e prazeres – o sistema límbico. Estudos científicos mostram que a ínsula sempre se ativa quando vemos cenas de emoção e ela, por sua vez, ativa o sistema límbico fazendo com que agente passe a sentir as emoções dos personagens como se fossem nossas!
Basicamente a grande responsável por nos fazer ficar comovidos ao assistirmos às cenas de alguns jogos, filmes, desenhos e séries é a empatia. Uma capacidade de sentir e se comover com as emoções e os sentimentos dos outros como se fossem os nossos próprios sentimentos. Todo esse sistema basicamente depende de um bloco central do cérebro chamada Insula, que participa de um esquema complexo responsável por nossas emoções e prazeres – o sistema límbico. Estudos científicos mostram que a ínsula sempre se ativa quando vemos cenas de emoção e ela, por sua vez, ativa o sistema límbico fazendo com que agente passe a sentir as emoções dos personagens como se fossem nossas!
De forma mais simples: Temos uma área em nosso cérebro que é ativada unicamente quando estamos diante de emoções “não reais” (afinal, é um filme ou um jogo que estamos assistindo e temos consciência PLENA disso!) e esta área ativa os nossos receptores reais de emoção para que possamos “sentir” aquilo que esta sendo nos apresentado! Fantástico, não é mesmo?!
Mas porque algumas pessoas se emocionam em certas cenas e outras não?
Isso é bem simples de explicar! A Insula se comunica diretamente com muitas outras partes do nosso cérebro, incluindo todos os nossos pacotes de memória arquivados ao longo de toda a nossa vida. Sendo assim ela sabe exatamente como nós somos e sabe exatamente quais são os sentimentos ou eventos que nos afetam de forma mais profunda. Por isso pessoas naturalmente românticas, ou que passaram por experiências românticas positivas e entendem estes sentimentos, terão suas emoções ativadas sempre que estiverem assistindo cenas de romance. Enquanto pessoas não românticas ou que tiveram experiências românticas negativas vão continuar assistindo a cena normalmente sem sentir nem mesmo o coração acelerar e os olhos marejarem; podendo inclusive sentir raiva ou achar engraçado.
Isso explica também porque The Last Of Us quase me fez chorar: Por ser pai e amar meu filho demais, a maldita Insula se ativou “naquela cena emocionante” do jogo e o meu sistema límbico tratou de me fazer sentir a dor que o protagonista do jogo estava sentindo! Olha jovens, não foi fácil segurar as lágrimas! Isso também explica porque o jogo Ori And The Blind Forest também me acertou em cheio no rosto, com emoções fortes. Quem jogou o game sabe que, apesar dos gráficos, a comoção que o game passa é muito forte – tanto bonita quanto triste.
Isso explica também porque The Last Of Us quase me fez chorar: Por ser pai e amar meu filho demais, a maldita Insula se ativou “naquela cena emocionante” do jogo e o meu sistema límbico tratou de me fazer sentir a dor que o protagonista do jogo estava sentindo! Olha jovens, não foi fácil segurar as lágrimas! Isso também explica porque o jogo Ori And The Blind Forest também me acertou em cheio no rosto, com emoções fortes. Quem jogou o game sabe que, apesar dos gráficos, a comoção que o game passa é muito forte – tanto bonita quanto triste.
Colocando estes dois games lado a lado, podemos notar que eles são muito diferentes um do outro, mas ao mesmo tempo, me passaram emoções parecidas. Logo podemos concluir que a Insula não se importa com a forma que a mensagem esta sendo transmitida (seja em forma de texto, gráficos realistas ou desenhos no estilo cartoon), se ela notar que a emoção que nos afeta esta “acontecendo” ela vai se ativar, vai enviar as informações ao Sistema Límbico e, consequentemente, vamos nos comover.
Segundo a ciência essa nossa capacidade de se emocionar através da observação “do outro”, seja ele um personagem fictício ou uma pessoa que observamos, tem importância fundamental para a vida em sociedade e para o relacionamento entre indivíduos, pois, somente através desta capacidade, podemos compreender o que o outro esta sentindo sem a necessidade de precisarmos passar pela experiência.
Pessoas mais facilmente emocionáveis possuem uma pré-disposição maior para o convívio social, são capazes de se expressar com mais clareza e de manter relacionamentos por mais tempo. Indivíduos pouco emotivos possuem mais dificuldade de manter relacionamentos longos e de se expressar de forma clara, bem como desenvolvem certa dificuldade em compreender porque as pessoas se comovem com certas situações enquanto eles não sentem absolutamente nada.
Existem também algumas doenças psiquiátricas que afetam diretamente a empatia e por isso muitas pessoas tem dificuldade de entender algumas expressões faciais, sentimentos, ou mesmo lidar com situações de muita emoção. Isso ocorre no autismo, na esquizofrenia, na bipolaridade e apenas reforça o quão importante a empatia se mostra nos relacionamentos sociais. Te chamaram de emotivo bobão?! Não fique triste, comemore!
Existem também algumas doenças psiquiátricas que afetam diretamente a empatia e por isso muitas pessoas tem dificuldade de entender algumas expressões faciais, sentimentos, ou mesmo lidar com situações de muita emoção. Isso ocorre no autismo, na esquizofrenia, na bipolaridade e apenas reforça o quão importante a empatia se mostra nos relacionamentos sociais. Te chamaram de emotivo bobão?! Não fique triste, comemore!
Vamos agora falar sobre o medo!
Um dos primeiros artigos que escrevi no Alvanista questionava se Bem, hoje eu mesmo sou capaz de responder esta pergunta com certeza absoluta e ainda explicar detalhadamente para todos vocês como este processo acontece:
Um dos primeiros artigos que escrevi no Alvanista questionava se Bem, hoje eu mesmo sou capaz de responder esta pergunta com certeza absoluta e ainda explicar detalhadamente para todos vocês como este processo acontece:
Sim, é possível sentir medo jogando videogame e é possível, inclusive, sentir medo “real” jogando videogames!
O medo é uma reação em cadeia no cérebro que tem início com um estímulo de estresse e termina com a liberação de compostos químicos que causam aumento da freqüência cardíaca, aceleração na respiração e energização dos músculos. O estímulo pode ser uma aranha, um auditório cheio de pessoas esperando que você fale, a batida repentina da porta de sua casa ou a cena do game que você esta jogando. O que é mais importante perceber aqui é que o indivíduo não tem controle nenhum sobre este processo. Nem sobre o estresse inicial e muito menos sobre a liberação dos compostos químicos que irão afeta-lo fisicamente.
O medo nasce de maneira totalmente inconsciente. Basicamente duas áreas do nosso cérebro recebem o estresse inicial que ocorre quando “vemos” ou “ouvimos” aquilo que vai gerar o medo: Uma parte é rápida e desordenada e a outra parte é lenta e interpretativa. As duas recebem o estimulo de modo simultâneo.
O medo nasce de maneira totalmente inconsciente. Basicamente duas áreas do nosso cérebro recebem o estresse inicial que ocorre quando “vemos” ou “ouvimos” aquilo que vai gerar o medo: Uma parte é rápida e desordenada e a outra parte é lenta e interpretativa. As duas recebem o estimulo de modo simultâneo.
O lado rápido e desordenado tem apenas uma filosofia de vida: “Melhor não contar com a sorte!!!”. Se você enxergar um vulto misterioso na cozinha, por exemplo, é mais seguro imaginar que seja um demônio tentando mata-lo e depois descobrir que era apenas a sombra da cortina do que imaginar que era a sombra da cortina e depois descobrir que era um demônio querendo mata-lo! Conseguiram entender?
Funciona mais ou menos assim: O vulto que você viu é o estimulo. Seu cérebro fica estressado e envia a imagem ao tálamo. O tálamo, coitadinho, não sabe se aquela imagem que ele recebeu é algo perigoso ou não e, de forma inteligente, envia um alerta para duas áreas distintas do céu cérebro: Uma que vai pensar sobre o que você viu e outra que vai agir rapidamente para te proteger – a Amígdala. A Amígdala não vai perder tempo e vai dizer ao hipotálamo que é preciso agir com rapidez, afinal “é melhor não contar com a sorte!”. E neste momento você sente medo ou se assusta, tendo reações químicas e físicas em decorrência desta reação.
Quando sentimos medo o cérebro solta em nosso corpo, nada mais nada menos, do que 30 hormônios diferentes a fim de ajuda-lo a enfrentar a “ameaça”. Todos estes hormônios basicamente iram causar, entre outros sintomas menos comuns: Aumento da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, dilatação da pupila, contração das artérias da pele para que os músculos possam receber mais sangue (o que causa o habitual “calafrio”), o enrijecimento dos músculos devido ao excesso de adrenalina e glicose (causando arrepios) e muitas outras coisas! Todas essas reações são inconscientes e automáticas e o jogador/indivíduo não possui nenhum controle sobre os efeitos destes hormônios.
Quando sentimos medo o cérebro solta em nosso corpo, nada mais nada menos, do que 30 hormônios diferentes a fim de ajuda-lo a enfrentar a “ameaça”. Todos estes hormônios basicamente iram causar, entre outros sintomas menos comuns: Aumento da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, dilatação da pupila, contração das artérias da pele para que os músculos possam receber mais sangue (o que causa o habitual “calafrio”), o enrijecimento dos músculos devido ao excesso de adrenalina e glicose (causando arrepios) e muitas outras coisas! Todas essas reações são inconscientes e automáticas e o jogador/indivíduo não possui nenhum controle sobre os efeitos destes hormônios.
Obviamente, todo este “longo” processo acontece em alguns micros segundos (quase ao mesmo tempo em que temos contato com o estimulo – seja um jump scare ou um cenário macabro em um jogo, seja uma cena num filme ou série). E enquanto todo este processo acontece a outra área do nosso cérebro – a área lenta e interpretativa – também esta reagindo ao impulso. Ela reflete sobre tudo aquilo que estamos vendo, ouvindo ou sentindo e manda suas conclusões de volta ao tálamo que, por sua vez, comunica o córtex sensorial que ira atribuir uma explicação lógica para tudo o que esta acontecendo. Após todo este momento de reflexão ele irá enviar à Amígdala as suas conclusões, deixando claro que não existe “perigo real” naquela situação vivenciada – e é justamente esta atitude que te impede de sair correndo da frente da TV ou da sala do cinema ^_^
Devido à área “racional” ser mais lenta que a área “impulsiva” do cérebro, não somos capazes de evitar os sustos e as sensações de medo, mas somos rápidos o suficientes para ter consciência de que tudo aquilo não é real e não representa um perigo real. Todas essas reações físicas têm a intenção de lhe ajudar a sobreviver a uma situação perigosa. O medo (e a reação de luta ou fuga em particular) é um instinto que todo animal possui.
Mas ai chegamos em uma parte muito interessante do estudo que fiz: Cada pessoa é diferente e possui “tempos” diferentes. Sabe aquele momento em que o tálamo envia a informação para duas áreas diferentes do cérebro? Pois é: Algumas pessoas não possuem a “área lenta” tão lenta assim, e são capazes de antecipar as reações impulsivas da Amígdala, e controlar os seus sustos e medos. Mas é importante frisar que tudo depende das informações do Cortex Sensorial.
Mas ai chegamos em uma parte muito interessante do estudo que fiz: Cada pessoa é diferente e possui “tempos” diferentes. Sabe aquele momento em que o tálamo envia a informação para duas áreas diferentes do cérebro? Pois é: Algumas pessoas não possuem a “área lenta” tão lenta assim, e são capazes de antecipar as reações impulsivas da Amígdala, e controlar os seus sustos e medos. Mas é importante frisar que tudo depende das informações do Cortex Sensorial.
Vamos explicar: O Cortex Sensorial é aquele que é responsável por colocar as informações dentro do contexto racional, mas todo este contexto vai depender da estrutura psicológica da pessoa que esta tendo o estímulo. E justamente daqui nascem as grandes diferenças de opiniões entre as pessoas na hora de avaliar alguns jogos de terror, desconsiderando completamente que, aquilo que não assusta uma pessoa, pode assustar muito outras!
Analisando-me para dar um exemplo: Eu sou fanático por filmes de terror, series de terror e jogos de terror. E por mais que já tenha assistido centenas de filmes, jogado dezenas de jogos e visto várias séries do gênero, não deixo de me assustar e sentir medo com novas experiências. Porque isso acontece? Simples: Por mais que eu já saiba muita coisa e até possa prever muitos eventos a região do meu cérebro que é “lenta e interpretativa” é de fato lenta, e é incapaz de impedir as reações químicas e impulsivas que a Amígdala envia ao meu corpo (por isso sempre me arrepio, me assusto, fico gelado e por ai vai!). Quer melhor exemplo do que o fato de eu não acreditar em fantasmas e, ao mesmo tempo, ter me assustado e me arrepiado muito vendo Invocação do Mal 1 e 2 nos cinemas?!
É simples: Nossas crenças não são capazes de nos proteger do “medo” quando a área interpretativa do cérebro trabalha de forma lenta. Mas, se esta área do meu cérebro fosse rápida – como são nos cérebros de algumas pessoas – eu jamais me deixaria afetar por estas experiências e, provavelmente, acharia tudo muito engraçado. :D
Vamos para outro exemplo?
Vamos para outro exemplo?
Minha esposa nem mesmo consegue ficar na frente de um computador quando um jogo de terror esta rodando, e isso só acontece com jogos. Porque isso acontece? Simples: Quando ela (minha pequena) esta no “controle” do evento – e não apenas assistindo – o cérebro dela processa tudo de forma muito mais lenta e o córtex é incapaz de alertar a amígdala que o perigo na tela do computador não é real. Por isso a reação dela, ao se assustar ou sentir medo, é levantar da cadeira e se afastar. O cérebro humano é muito interessante!
Prezados, eu poderia escrever muito mais sobre o assunto, pois foram meses de pesquisa e leitura e acabei ficando fascinado por este tema. Mas o artigo já esta longo o suficiente e sei que é preciso parar. Agradeço por todos que leram e espero ter conseguido explicar como somos significativamente diferentes por dentro. Frações menores de 1 segundo em impulsos elétricos dentro da nossa massa encefálica são capazes de criar grandes diferenças no comportamento e na forma como um jogador reage à determinado impulso. Simplesmente fantástico e cientificamente gratificante.
Um abraço à todos!!!

















