Quem viveu a época de gloria do saudoso Playstation 1 conhece realmente o quanto o nome da franquia Tomb Raider tinha peso. Era quase impossível encontrar alguém que não conhecia Lara Croft e suas curvas exageradamente desenhadas.
A personagem conseguiu ganhar um destaque fabuloso num meio que, na época, era quase todo dominado por homens. Com o avançar da geração, entretanto, os jogos da heroína foram perdendo o seu brilho. Era como se os jogos estivessem apostando suas vendas mais no nome da protagonista e na fama já estabelecida do que propriamente em novas experiências que o jogo em si poderia oferecer.
Infelizmente o quadro geral não era positivo para Lara e o destino da personagem parecia realmente ser o esquecimento. Mas como toda essa conversa de destino é muito clichê e aparentemente ninguém alem de mim e meia dúzia de outros cabras por ai entendem que "ser clichê nunca foi sinônimo de ser ruim" (The Last Of Us esta ai para provar), a Squaresoft e a Crystal Dynamics decidiram fazer um reboot total da serie. Não apenas focando na historia da protagonista e nos eventos ate agora apresentados, mas mudando também a própria protagonista (que deixou de ser um sex symbol para se tornar uma garota comum, com curvas menos exageradas mas, ainda assim, com um charme bacana e uma voz muito... aff! Voltemos à analise. :) ).
Se uma vez Tomb Raider serviu de base para desenvolver uma das maiores e mais exclusivas franquias da Sony atualmente, desta vez Nathan Drake serviria de inspiração para Lara Croft. A Square decidiu que o novo game da heroína teria uma pegada muito mais cinematográfica do que os títulos anteriores (algo que a atual geração gamer - e eu também! - já estamos habituados a ver em grandes títulos - ficamos ate na expectativa pelas cenas).
Outra coisa que ficou acertada é que Lara seria uma protagonista muito mais "humana"; mais realista. E neste ponto jovens o novo game foi incrivelmente competente!
Somos capazes de nos envolver fácil com a personagem, sentir um pouco do seu sofrimento a cada cena de dor ou raiva, ver a inocência e a ingenuidade nos olhos dela ir morrendo aos poucos conforme avançamos no jogo. O conceito usado para fazer o marketing do jogo ("Nasce uma sobrevivente") é basicamente a definição do que presenciamos no novo Tomb Raider.
É claro que ainda estamos dentro de um jogo de videogame e toda essa "pegada" realista desaparece muitas vezes, mas ainda assim não deixamos de olhar pra Lara com um pouco de afeto e pena.
A historia do jogo é muito bem desenvolvida e bebe bastante na fonte do seriado Lost. Mas infelizmente a forma como as coisas vão se desenvolvendo e as descobertas finais não me agradaram muito (principalmente pela quebra total do conceito "realidade" que muito se buscou neste titulo.). Mas dai este é um ponto de vista puramente pessoal meu e para não ser injusto na critica é claro que fui obrigado a refletir: Por mais que se trate de um reboot e por mais que o desenvolvedores estivessem preocupados em trazer mais veracidade ao mundo de Lara Croft, eu não poderia jamais esquecer que ainda se tratava de um Tomb Raider! Os elementos que inicialmente julguei como pontos negativos na narrativa sempre estiveram presentes na serie, desde o primeiro titulo em 1996, para Sega Saturno. Sendo assim, o fato da historia seguir o rumo que seguiu (não posso entrar em detalhes pois acabaria dando spoilers) só demonstra o comprometimento da equipe criadora de que, apesar das mudanças, ainda poderíamos facilmente reconhecer o jogo como um autentico Tomb Raider.
O gameplay do jogo esta bem fluido e fácil de dominar. Os movimentos da heroína são incrivelmente plásticos e naturais. Muitas coisas aqui, inclusive, poderia ser utilizada em outros games devido a "lógica" e a praticidade. Um exemplo bom é o fato do jogo não possuir um botão para se agachar. Quando Lara percebe a presença de um inimigo ela automaticamente já muda a sua postura, assumindo uma movimentação furtiva, se abaixando automaticamente atrás de caixas ou outros objetos que servem de proteção. É uma sacada fantástica que acrescenta muito mais realismo ao jogo e deixa as ações de Lara muito naturais.
Durante o jogo podemos explorar cada cenário de maneira quase livre. Não é necessário (e nem indicado) seguir direto para os objetivos principais do mapa. Muitas vezes você ira encontrar tumbas secretas que possuem tesouros ainda mais secretos. Os melhores, maiores e mais difíceis puzzles do jogo estão escondidos nestas tumbas.
O quanto o seu jogo será "Tomb Raider" vai depender apenas de você. Se não der bola para a exploração e apenas seguir o caminho das missões principais, por mais que você vá ter de explorar bastante cenários eventualmente, grande parte do "Raider" é opcional; mas garante recompensas interessantes e muita descoberta da Lore através de documentos e diários que só podem ser achados fora da rota.
Essa foi uma ótima sacada da Square pois garante que tanto jogadores que preferem ação quanto os jogadores que preferem Exploração vá gostar do titulo.
Lara Croft pode encontrar peças de armas ou sucatas ao longo dos cenários e estes itens podem e devem ser usados para realizar upgrades em seus equipamentos e armas.
A heroína não evolui apenas visualmente. Durante o jogo nossos feitos vão rendendo pontos de experiência e, depois de juntar certa quantidade, Lara pode aprimorar uma de suas três arvores de habilidades: Sobrevivente, Caçadora e Combatente.
Cada arvore possui um conjunto de habilidades que acrescenta ou aprimoram as chances de sobrevivência na ilha. Desde aumentar sua resistência física, ajuda-la a encontrar mais itens pelo cenário ou aumentar o dano de suas armas; são estas habilidades que vão ditar a forma que você ira jogar o game (e sim, você tem certa liberdade na forma como estes upgrades serão destravados). Eu disse "uma certa liberdade" porque se você for do tipo explorador, é bem provável que no meio do game você já tenha todas as habilidades destravadas.
A trilha sonora é competente e dita um ritmo bacana durante o gameplay, mas você não vai encontrar nenhuma musica que seja digna de buscar na internet e baixar para o MP4. Terminei o game a pouco mais de um mês e, com toda sinceridade, não lembro de nenhuma musica do jogo. :)
O ponto negativo de Tomb Raider fica por conta do seu multiplayer simples e completamente desnecessário. Realmente eu não consigo entender o motivo de todo jogo hoje ter que vir com um modo multijogador. Ok, permitir a interação entre jogadores pode aumentar a vida útil do game mas, se no fim, a opção for fazer algo completamente genérico e limitado (tendo uma lista com dezenas de títulos que possuem multiplayer muito mais interessantes), seria melhor nem fazer! Afinal, apesar de ser um modo capado e de ter sua estrutura totalmente chupada de outros jogos, ainda demanda tempo, esforço e investimento dos desenvolvedores; Tempo, esforço e investimento que poderiam ser gastos melhorando ainda mais a experiência single player do jogo. Seja desenvolvendo modos de jogo, novos níveis de dificuldade ou mesmo polindo a campanha (identificando e eliminado bugs, melhorando algumas cenas e por ai vai!).
Tomb Raider é um titulo que carrega um nome de peso mas fez jus ao legado de Lara Croft e apagou das cartas de tarot aquela previsão negativa de esquecimento. Se você ainda não jogou, jogue e depois me diz o que achou. Se já jogou ou esta jogando, diz ai: Concorda comigo? Gostou da direção que a serie esta tomando?
Agradeço pela sua atenção. Um abraço.

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