quarta-feira, 6 de julho de 2016

Hoje em dia não existem tantos jogos bons como antigamente?


Bem galerinha, este é o primeiro artigo que escrevo sobre games (e ainda por cima estou escrevendo durante o expediente de trabalho!) então peço desculpas se eu cometer algum deslize ou não ser “muito” claro em algumas opiniões.
Decidi comentar sobre este tema por dois motivos muito importantes: O primeiro deles (e também o mais importante) é que eu tenho propriedade para falar sobre o assunto, pois sou fissurado por jogos desde os meus 3 anos de idade. Joguei dezenas de títulos no Atari, dezenas no Nintendinho, centenas no Super Nintendo e Mega Driver, saltei uma geração e fui para o Nintendo 64 (joguei dezenas de jogos – pois nesta época minha família passou um aperto financeiro e o meu hobbie teve de ser deixado um pouco de lado) e depois voltei aos 32 bits com o Playstation (meu console favorito até hoje, depois do PC). Então vieram o Playstation 2 e finalmente o meu belo e apreciado PC. O segundo motivo é o quanto eu fico chateado quando vejo uma galera da antiga tentar menosprezar a galera mais nova (seja por não conhecerem os jogos clássicos ou por não respeita-los); Isso me faz lembrar do início da minha adolescência, quando meu avô e minha avó falavam mal dos desenhos e filmes que eu gostava com o argumento de que “Não se fazem tantos filmes e desenhos bons como antigamente...”.
Mas será que os meus avós estavam certos? Será que Jaspion, Cybercop, Pica-Pau, Cavaleiros dos Zodiaco, yu yu hakusho e tantos outros desenhos (que na época eram apenas desenhos e não “clássicos”) de fato eram ruins? Conseguem entender aonde quero chegar?
Analisando friamente o título do artigo e deixando de lado minhas opiniões pessoais, eu posso garantir que muitos dos gamers da antiga sofrem da mesma doença estranha que os meus avós sofriam quando eu era criança. São pessoas que se apegam ao passado e não deixam a mente aberta para novidades ou mudanças (na faculdade de administração, a primeira coisa que aprendemos é: Aprenda a gostar da mudança, pois ela é uma regra para que empresas sobrevivam no mundo globalizado!). Os jogos que tanto amamos são desenvolvidos por empresas e empresas precisam mudar para sobreviver.
Sabiam que, proporcionalmente, sempre existiu uma grande diferença entre “GAMES LANÇADOS PARA UMA PLATAFORMA VS GAMES REALMENTE BONS LANÇADOS PARA UMA PLATAFORMA” ?
Vou usar como exemplo o console mais vendido de todos os tempos: O Playstation 2.
Segundo a Sony existem mais de 10.000 jogos lançados para esta plataforma... Mas vocês seriam capazes de me dizer 100 games REALMENTE bons lançados para o Playstation 2? Estou pedindo para que vocês me indiquem 100 jogos que (de fato!) fizeram vocês perderem noites de sono, inventar doenças para faltar um dia ou dois de trabalho, deixar de visitar a namorada ou o namorado no fim de semana, faltar ao casamento da sua tia ou ficar os quatro dias de carnaval trancados dentro de casa tomando coca-cola (este último foi experiência própria!). Garanto que cada um de vocês seria capaz de enumerar uma lista com os seus jogos preferidos e, talvez, alguns de vocês até seriam capazes de enumerar os 100 jogos. Mas a grande maioria (onde me incluo) pararia nos 30 ou 35...
Se ampliássemos o questionário para o Super Nintendo, por exemplo: Dos pouco mais de 780 jogos lançados para o console, liste 100 que fizeram você tirar notas vermelhas nas provas ou levar bronca da sua mãe por acordar de madrugada e ficar jogando com a tv no mudo... (outra experiência pessoal, hehehe). E por ai vai...
Pensem desta forma para todos os consoles e vocês perceberão que a proporção de games lançados é sempre muito maior em comparação com os jogos que se tornaram clássicos (e não se enganem saudosistas – clássicos sempre continuarão à ser criados, não importa o tempo, época ou console).
Eu vivi minha infância e juventude jogando os games clássicos (clássicos hoje e na época apenas ótimos games), mas não desejo de forma nenhuma que as empresas regridam em suas tecnologias e comessem a fazer apenas jogos 2d! Foi como eu disse para minha avó uma vez: “Sinceramente dona Matilde, comer um feijão feito na lenha, lá uma vez ou outra, é muito bom para relembrar os velhos tempos, mas viver assim não vai ser legal atualmente”.
As pessoas encaram de forma diferente a passagem do tempo. Umas se tornam rabugentas, mau humoradas, começam a encontrar defeitos em tudo aquilo que “antes não era assim” e se isolam em seus mundinhos retros torcendo para inventarem uma maquina do tempo... Outras, apesar de jamais deixarem de gostar dos clássicos da sua época, respeitam a mudança, entendem que ela é algo natural, humano e que assim sempre irá de ser; Seja na música, seja com os heróis e desenhos animados, seja com os games.
Meu jogo preferido até hoje é Resident Evil 2! Perdi as contas de quantas horas já joguei este jogo e de quantas noites virei em claro. Mas não é por causa disso que vou entrar em uma rede social e ofender toda essa molecada nova que começou a jogar Residente Evil à partir do 4 e ofende-los dizendo coisas do tipo “Seu noob otário! Nem sabe o que é Resident Evil!” ou “Criancinha! Joga Resident Evil 6 e já se acha o bom... Quero ver durar uma hora no Resident Evil 1!”.
E isso se repete em todas as franquias famosas do passado: Castlevania, Silent Hill, Final Fantasy, Devil May Cry, Metroid, Call Of Duty e por ai vai... (estou no trabalho, não tenho tanto tempo para pensar em todas L )
Exemplo pessoal: Sou gamer da antiga, já joguei e perdi noites de sono com quase todos os games da franquia Castlevania (só não joguei aqueles exclusivos de alguns portáteis...) e na minha opinião o melhor Castlevania já feito foi a série Lords Of Shadow. Impactante? Inaceitável? Quem ai vai dizer que eu não tenho autonomia para afirmar isso?
Meu Final Fantasy preferido é o VIII. Hoje ele é encarado como clássico, mas no passado eu cansei se sofrer com uma galerinha que dizia que Final Fantasy bom era o Final Fantasy VII e que eu não sabia o que estava dizendo! Bem, quanto à isso... Ainda sofro!
Como é um assunto que gera indignação acabei escrevendo demais, então vamos finalizar. O que eu quero dizer, é que, analisando friamente o mercado de games, podemos perceber que a proporção entre GAMES LANÇADOS e BONS GAMES LANÇADOS não mudou tanto assim. Não importa o console ou a época! O importante é haver respeito. As mudanças vão continuar acontecendo e isso é inevitável. Lembra quando ficávamos com raiva de nossos pais quando eles diziam que nossos jogos eram ridículos e que preferiam sair para jogar bola de gude, peão e futebol? Pois então! Não vamos nos tornar pessoas como estas!
Sou amante dos clássicos, sou gamer das antigas e hoje sou casado; mas continuo virando algumas noites acordado para debulhar um jogo novo; Continuo descobrindo clássicos e explorando mundos novos. Acredite em mim: Com o coração mais aberto para explorar o novo, ainda que continue preferindo o velho Pac Man ou o apelativo Mega Mania, você irá se divertir muito mais e fazer muito mais amigos.

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