Quando falamos de desenvolvedoras de jogos de vídeo-game fica sempre difícil não mencionar a Capcom. Desde os anos 90 ela vem criando e mantendo franquias de peso no mercado, e apesar de já ter vivido momentos melhores, é impossível desmerecê-la; dado a importância e a relevância dos nomes de seus principais jogos.
Um destes jogos é Resident Evil, cujo primeiro game veio ao mundo em 1996.
Resident Evil é um nome tão forte e importante para a Capcom que três, de seus cinco jogos mais vendidos de TODOS os tempos, são títulos desta franquia! Devemos tirar o chapéu para Resident Evil 5 e 6, que juntos venderam mais de 12 milhões de unidades e ocupam o primeiro e o segundo lugar no Ranking respectivamente. Mas hoje eu vou falar de outro Resident Evil, que apesar do tempo passado desde o seu lançamento (nada mais que 18 anos!) fez por merecer uma posição no top 5 da Capcom, e ocupa nada mais nada menos do que a quarta posição: Resident Evil 2...
Primeiramente a grande mudança que notamos ao jogar Resident Evil 2 é sua evolução gráfica em relação ao primeiro game. Tanto os personagens como os cenários estão muito melhor trabalhados que os do jogo original. A movimentação dos heróis ficou muito mais fluida e natural, assim como a dos monstros que encontramos pelo caminho (não se esqueçam: Estamos em 1998!). Os personagens também ganharam um movimento de rastreamento na cabeça, que fazia com que eles olhassem para pontos de interesse ou para as criaturas que se aproximavam. Deixando tudo mais realista.
Outro detalhe que contou muitos pontos em RE 2 foi que ele manteve tudo aquilo que fez sucesso no jogo anterior e aumentou: Tínhamos mais armas, mais personagens que interagiam durante a história, mais criaturas e o grande destaque: Muito mais sustos e situações em que o jogador ficava sob tensão ou literalmente sentia .
Para sobreviver era necessário administrar bem o inventário, sempre decidindo se era melhor levar munição extra ou itens para recuperar a saúde. E por falar em saúde: Resident Evil 2 permitia aos jogadores perceber o estado físico do personagem através de sua linguagem corporal: Quando a energia estava ótima o personagem se mexia normalmente; quando estava em estado de atenção ele andava segurando o abdômen e finalmente, quando seu estado de saúde era crítico, ele se locomovia arrastando os pés, de maneira bem lenta.
Focado na exploração, resolução de puzzles e administração de inventários, o novo game da Capcom trazia aos jogadores dois novos personagens: Clarie Redfield e Leon S. Kennedy. Ambos eram apresentados em cenas de computação gráfica lindas para a época, que rapidamente levavam os jogadores para dentro de um filme de terror. Os personagens tinham um carisma forte e logo caíram nas graças dos fãs, tornando-se vitalícios na série; assim como Jill e Chris.
Um ponto interessante é que desta vez a escolha dos personagens tinha um impacto bem maior no jogo! Para concluir o jogo inteiro era preciso terminar o game primeiro com um personagem. Após os créditos você liberava o "caminho B" do outro personagem e a história mostrava tudo aquilo que aconteceu com o seu parceiro enquanto os eventos da sua primeira jogatina aconteciam. Tudo se interligava de modo muito interessante e, no fim do caminho B, o final real do jogo era revelado ( e este também podia ser alterado, baseado na ordem de personagens que você jogou ). E se não bastasse tudo isso, após terminar o jogo e fazer os dois finais completos, você ainda liberava um mini game cuja história serviria de gancho para jogos futuros da franquia. Sem contar que cada vez que você terminava Resident Evil 2 era liberado armas secretas com munição infinita para o jogador se divertir e matar zumbis a vontade.RESUMINDO: O fator replay do game era enorme!
As músicas do jogo eram muito boas, e o destaque ia para as canções de mistério que tocavam em quase todos os ambientes do jogo, focadas na manutenção do suspense e da tensão. A musica de "terror" que tocava em momentos de susto também era boa e traduzia com facilidade a necessidade de reação urgente. Já as músicas dos chefões ( geralmente orquestradas ) fechavam o pacote que facilitava muito na hora da imersão. O som ambiente, as vozes dos personagens e os sons guturais dos zumbis e dos monstros tiveram a mesma atenção da Capcom e estavam impecáveis também.
Claro que, ao contrário do que afirmaram a grande maioria dos críticos na época, Resident Evil 2 não era um jogo perfeito. Seu maior problema estava na jogabilidade e na sua câmera (problemas que inclusive vieram do seu antecessor). A série Resident Evil "clássica" (como assim ficou conhecida) sofria com um controle complicado dos personagens e uma ausência total de tutoriais durante o gameplay. Eu nem mesmo precisei que alguém me informasse destas falhas, pois elas ficaram evidentes logo na primeira vez que joguei o game!
Quando joguei Resident Evil 2 pela primeira vez foi em uma locadora de games, e assim que o jogo inicia você já esta cercado de zumbis, tem apenas uma pistola com 15 balas (um zumbi precisa de uma média de 7 tiros para morrer!) e você já precisava desviar dos comedores de carne como se fosse veterano no game! Mas ai entram os controles...
Lembre-se : Sempre que uma jogabilidade exigir que você "se adapte" à ela, significa que a mecânica do jogo não é muito boa. Uma jogabilidade bem desenvolvida é natural e lógica, você aprende os comandos e controla os personagens; se adaptar à um controle significa: Tentar e errar, tentar e errar, tentar e errar, tentar e finalmente acertar (agora tem que decorar e seguir adiante)...
Para eu "aprender" que o direcional "cima" movimentava o personagem sempre para frente (independente do ângulo de câmera), que o direcional "esquerda" movimentava o personagem sempre para "a esquerda do personagem" (independente do ângulo de câmera), direcional "baixo" movia para traz e direcional "direita" movia para "a direita do personagem", foi um massacre! Cheguei na loja de armas me arrastando e quase morto!
A câmera do game, apesar de todo o seu charme e de ser responsável por criar tensão em muitos momentos, também será a responsável por muitas mordidas de zumbis que você irá receber! Muitas vezes você irá entrar numa sala e escutará alguns zumbis gritando ou gemendo... Mas não saberá aonde os desgraçados estão! Pior ainda é que, não raramente, você irá mudar de tela e um zumbi já irá aparecer em cima de você, sem te dar nenhuma chance de esquiva! A galera mais fã (embora eu realmente ache bem difícil alguém gostar mais deste jogo do que eu!) pode defender esta mecânica dizendo que tudo ali é proposital, para gerar susto e tensão; mas basta uma análise mais aprofundada na estrutura das fases que você percebe que realmente se trata de falhas técnicas mesmo!
O maior exemplo fica por conta da batalha contra o último chefe do game, no Caminho A de qualquer um dos personagens: Alguns ângulos de câmera escondem completamente o chefe do seu campo de visão! O resultado é que você acaba sendo abocanhado pelo mutante várias vezes, não por inabilidade ou porque fez uma jogada errada, mas simplesmente porque você não pôde ver o desgraçado armando o ataque contra você (embora ele estivesse, dentro do ambiente do jogo, EXATAMENTE na sua frente!). Um game que te desafia a termina-lo sem salvar nenhuma vez, peca ao punir o jogador com este tipo de situação, que pode leva-lo a perder o jogo e ter de começar tudo novamente.

Saindo do gameplay, vamos direto para a análise do enredo!
Para o típico "filme B", Resident Evil 2 tem uma história interessante, com algumas reviravoltas previsíveis e eventos clichês. Longe de ser um ponto negativo, o jogador terá a oportunidade de vivenciar situações comuns em filmes de terror desta natureza; mas aqui ele será diretamente responsável pela sobrevivência ou não do herói. Entretanto, Resident Evil 2 possui uma penca de arquivos files que aprofundam bastante a trama do jogo, oferecendo uma lore muito mais complexa e cheia de detalhes. São mais de 30 arquivos diferentes que contam fatos importantes para qualquer um que queira mergulhar mais fundo na trama da franquia. Inclusive é detalhado ligações com jogos que ainda nem haviam sido lançados (como Resident Evil 0 e Resident Evil 3).
Resident Evil 2 é o meu jogo preferido, então claro que eu aconselho qualquer um à joga-lo! Entretanto é preciso deixar bem claro que o jogo envelheceu bastante desde o seu lançamento, e que alguns de seus defeitos mais destacados já eram defeitos em 1998! Se você é dessa época provavelmente vai se adaptar bem rápido (pois nessa época era comum games não terem tutoriais e forçar o player a aprender na marra!), mas se você for um jogador da geração atual, muito provavelmente não vai curtir o estilo do jogo - e se curtir, vai demorar um pouco para se adaptar aos comandos.
Seja pela evolução e pelos conceitos que trouxe para os games no estilo Survivor Horror, ou pela marca que deixou em uma geração inteira de jogadores, Resident Evil 2 foi um título indispensável no Playstation 1 e é obrigatório para os fãs da franquia Resident Evil.
Obrigado pela atenção, um abraço!

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