quarta-feira, 6 de julho de 2016

OS MONSTROS DA VIDA REAL...


Terror!!!
Sem duvidas este é o meu gênero preferido de jogos, filmes e livros. Adoro sentir aquela inquietação no estomago que nada tem haver com o que comemos no café da manha. Aquela sensação estranha de ruptura da normalidade, quando nossa mente racional diz em um tom de voz sufocado: Cara, isso foi realmente inquietante! Essa voz geralmente vem acompanhada de uma leve arritmia cardíaca e uma respiração ofegante...
O medo total e pleno; aquele que gela o corpo e interrompe a comunicação entre cérebro e membros, eu nunca consegui alcançar com games. Cheguei perto em filmes e livros, mas nunca com games. Isso não significa porem que jogos de terror sejam inúteis ou um desperdício de tempo; A questão mais importante é saber o que te causa medo...
O que te faz evitar um beco escuro, ascender à luz antes de atravessar a cozinha ou te faz saltar do sofá com as mãos no peito e os olhos arregalados?
Barulhos estranhos à noite? O uivo do vento nas colinas quando todos os outros sons se calam de madrugada? O cachorro latindo para um canto escuro e aparentemente vazio da parede? A sensação de estar sendo observado na casa vazia? Animais mortos em oferenda a entidades pagãs que habitam as encruzilhadas?
Pessoalmente, numa escala de 0 a 10, pouco me assustam questões relacionadas a pactos com demônios, fantasmas, maldiçoes, diabos e seus derivados (mas sei que no geral esses temas são campeões do imaginário coletivo).
Questões mais "palpáveis", ainda que indubitavelmente improváveis, me assustam muito mais: Como armas biológicas, vírus ou patologias infectocontagiosas, mutações genéticas e afins. Muitos podem pensar que são temas bobos, mas quando se faz uma analise mais aprofundada sobre o assunto é possível notar o quanto ele é presente: Vou dar apenas dois exemplos: Vocês sabiam que a OMS (Organização Mundial da Saúde) possui materiais oficiais e públicos explicando como a população deve agir em um caso de epidemia de zumbis?! Sabiam disso? Estranho não? E se eu disser a vocês que zumbis REALMENTE existem? Que são criados a partir de uma mistura de ervas e misturas antigas? E se eu dissesse que existem países que em suas leis oficiais esta escrito que é "proibido criar zumbis"? Intrigante não? Mas é real, palpável e tudo esta documentado (ao contrario de fantasmas, demônios e afins, que continuam fugindo dos cientistas)
Entretanto, na minha escala pessoal de medo, uma criatura me assusta mais do que quaisquer mitos religiosos, teorias da conspiração ou o imaginário criativo: Os monstros da vida real!
Assassinos, psicopatas, sociopatas, maníacos homicidas, fanboys...
E com exceção dos últimos, estes são os monstros que você ira enfrentar em Outlast!
Apos jogar quase todos os Survivor Horror possíveis afirmo que nenhum deles me perturbou mais do que este game indie. Outlast te coloca dentro de um hospital psiquiátrico cheio das mentes mais deturpadas e loucas que existem. Você estará sozinho, não terá armas; o seu personagem não é treinado e muito pouco (ou absolutamente nada) pode fazer contra a loucura que tomou conta do local. Você contara apenas com a sua filmadora (que possui visão noturna e ajuda durante a exploração de lugares pouco ou nada iluminados) e o seu bloquinho de anotações para escapar e não se tornar apenas mais um corpo pelos corredores
Com cenas fortes e algumas passagens bem violentas e arrepiantes, Outlast nos apresenta o horror de forma brutal e fria. Nossos perseguidores são pessoas loucas, armadas com facas, bastões de baseball, ou mesmo desarmados. Eles nos perseguem pelos corredores escuros gritando o que farão se nos alcançarem; Eles arrombam portas e vasculham camas e armários quando escutam algum barulho...
Observação fora de contexto 1: É claro que um jogo com uma proposta de assustar e causar medo depende e muito da imersão. Não vai jogar a porr@ do jogo no meio da sua sala, durante o dia, com sua mamãe ou sua esposa cantando na cozinha, os vizinhos gritando lá na rua, e depois vem pagar de corajoso dizendo que não se assustou ou que não se surpreendeu né! Nem se dê ao trabalho! Na sala, na companhia da mamãe ou da esposa agente joga Mario, joguinhos multiplayer ou fica brincando no portátil! Jogos de survive horror, gostem ou não, precisam de imersão: Devem ser jogados num ambiente silencioso, escuro, de preferencia com fones de ouvido em um bom volume, e foco (muito foco). Se você não joga assim não adianta chorar ou pagar de machão, você esta errado - agora se você joga de dia, no meio de um monte de gente e ainda se assusta, bem... Nesse caso acho melhor você passar longe de Outlast brother, ele pode ser pesado demais para você.
Voltando a análise do game...
O jogo é basicamente linear, mas a forma como você irá lidar com os loucos ou escapar de algumas situações de perigo é você quem decidirá. Em muitos momentos haverá cenários grandes com várias possibilidades de fuga ou de lidar com uma mesma situação.
Em alguns momentos também ficamos em ambientes completamente escuros (sem nenhuma fonte de luz), e nessas horas é preciso contar com a filmadora do protagonista para se guiar. Se vocês já assistiram o filme “REC”, saibam que a ideia é mais ou menos parecida. Entretanto usar a câmera em visão noturna consome bateria e elas não existem pelo cenário em uma quantidade muito grande. Portanto é preciso ter cautela e ser rápido para não ficar perdido no escuro.
Uma estratégia perfeita para Outlast é explorar todo o cenário do game, mesmo você já sabendo que caminho deve seguir; desta forma você garante um bom estoque de baterias para os momentos de escuridão e encontra todos os files do game (que é a principal forma de apresentação da história – Outlast possui pouquíssimas cutscenes). Lembre-se que a história do game é muito boa e vale a busca pelos files. Existe uma tradução para PT-BR disponibilizada pela Tribo Gamer que eu instalei e recomendo.
O jogo é basicamente Stealth. Não existe a possibilidade de bater nos loucos, criar armadilhas ou captura-los em pokebolas. Sua calma e paciência vão garantir o sucesso ou o insucesso da fuga.
Observação fora de contexto 2: O jogo Alien Isolation foi visivelmente inspirado em Outlast. Muitos elementos que vemos no game da SEGA vieram diretamente deste jogo indie e alguns deles foram bastante aperfeiçoados. Em Outlast, por exemplo, é possível aprender os movimentos dos inimigos, decora-los e agir de acordo (o que não acontece no jogo do alienígena bocudo, onde os movimentos do Xenomorfo são imprevisíveis – o que garante um clima de tensão constante mesmo depois de muitas jogadas!). É claro que isso não é um ponto negativo para Outlast, mas é uma característica que diminui o fator replay do game. Voltemos ao game:
Existem alguns jogos e filmes de terror (a grande maioria, na verdade!) que basicamente tentam causar o medo utilizando-se do suspense e dos sustos. O problema com estes dois sentimentos é que eles são criados unicamente quando não se conhece o que esta por vir: O Suspense vem de temer o que ainda não aconteceu ou o que pode acontecer. O Susto surge da surpresa repentina diante de um ocorrido que não era lógico ou que não era esperado. O problema destes dois sentimentos é que eles desaparecem completamente depois que conhecemos a história.
Outros jogos ou outros filmes, porém, possuem detalhes mais profundos: Eles utilizam o choque visual aliado a uma constante busca de causar no expectador aquela estranha sensação de ruptura. Outlast é um exemplo perfeito deste tipo de entretenimento! Sadomasoquismo extremo, necrofilia, canibalismo, corpos dilacerados, mutilados, despedaçados, empalados... Tudo isso e muito mais esperam você durante a jogatina. Em Outlast a violência visual e sonora é grande e sem censura.
Graficamente precisamos pesar alguns pontos: Este é um game indie, de orçamento reduzido e lançado em 2013! Ainda assim Outlast dá um show de ambientação e no visual dos monstrengos perseguidores. A visão em primeira pessoa (além de ser a melhor escolha quando se busca colocar o jogador “dentro” do jogo) funciona e reage de modo muito realista. Esses fatores são minhas justificativas pessoais para dar ao jogo uma nota alta neste quesito (ou seja, não é o gráfico do game em si que merece essa nota, mas todo o trabalho envolvido na produção gráfica do game para se alcançar o resultado final diante dos obstáculos).
O gameplay é bom, os comandos respondem bem e tudo flui naturalmente. Não encontrei problemas grandes neste quesito. Bugs eventualmente acontecem, mas ironicamente não aconteceram comigo! Isso porém foi uma exceção (pelo que pude pesquisar antes de fazer a análise): Li relatos de alguns jogadores em fóruns oficiais que evidenciam que às vezes os loucos podem atravessar paredes e portas e, até mesmo, matar o jogador através de paredes e portas. Não é um problema muito comum, não aconteceu comigo, mas deixo registrado que, de fato, estes bugs podem eventualmente acontecer com você.
Para não me alongar ainda mais: Se você curte um survive horror e ainda não jogou Outlast, não perca tempo! Saia do limitado mundo clichê das armas biológicas, dos vírus, dos fantasminhas japoneses, dos demônios ou das realidades paralelas e paradoxos. Venha explorar o extremo deturpado da mente humana e prepare-se para os sustos!

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