Durante o avanço dos anos e das décadas os jogos evoluíram. Juntamente com os jogos, a cabeça dos jogadores também mudou bastante.
No passado nos tínhamos jogos curtos que precisavam oferecer conteúdo e desafios a fim de aumentar o tempo de jogo e o fator replay. Isto era conseguido criando-se limitações durante a jogatina (como um numero limitado de vidas e continues), com poucas ou muitas vezes nenhuma informação do que deveria ser feito e, mais comumente, criando fases super difíceis que exigiam do jogador o aprendizado através da morte e da repetição da jogatina (até mesmo exigindo que o jogador decorasse certos pontos para evitar a morte!).
Com os jogos modernos e o avanço da tecnologia, porem, perdeu-se a necessidade de se manter estas características e o foco passou a ser mais visual e opcional (variação de níveis, modos extras e modos multiplayer... a dificuldade passou a ser opcional e a jogatina deixou de ser limitada por números de vida ou continues.)
Foi então que um joguinho por ai, resolveu brincar com estes conceitos de modernidade e antiguidade e foi apresentado aos jogadores com uma mistura mais do que bem vinda. Esse joguinho chama-se Demons Souls, e a partir dele nasceu uma das minhas franquias favoritas!
Dark Souls II foi lançado 5 anos depois do seu progenitor, e para desespero daqueles que acompanhavam a serie desde o seu inicio, não contava com a mente genial e maliciosa de Hidetaka Miyzaki na direção. Sabendo desta limitação e (muito provavelmente) conhecendo a fama dos fãs mais ardorosos - e chatos - da franquia, a equipe de Dark II resolveu buscar inspiração naquilo que levou Demons Souls ao estrelato (pegar uma coisinha daqui, e outra coisinha dali). Enquanto Demons Souls buscou puramente características de gameplay, Dark II buscaria em seus antecessores mecânicas e conceitos.
Dark II é nitidamente uma mistura dos dois primeiros games da franquia, pendendo muito mais para Demons Souls do que para Dark Souls I.
A exemplo do primeiro game lançado para o Playstation 3 temos cenários muito maiores e mais variados que os do primeiro Dark Souls. Eles não estão conectados entre si, mas sim à um "centro" que concentra a maior parte dos NPCs do jogo. Em Dark Souls II existem distancias muito maiores a se percorrer para chegar de uma ponta a outra em cada fase. Felizmente é possível viajar entre as fogueiras (check points) desde o inicio do game, o que ajuda bastante quando chegamos no fim de um determinado mundo e precisamos retornar para a cidade principal a fim de iniciarmos outra caminhada para outro reino (Qualquer semelhança com o Nexus de Demons Souls, não é mera coincidência!).
Vindo também de Demons Souls temos o sistema de punição após a morte, que diminui a barra de energia do personagem. Porem, enquanto em Demons Souls o encolhimento da barra era brutal (50% da energia era retirada após a morte), em Dark II essa penalidade vai acontecendo aos poucos, podendo chegar também nos 50% em caso de muitas mortes. O que casou perfeitamente com a lore do game que é bem clara:
"Quando um morto vivo morre ele não morre realmente. Mas caminha cada vez mais para se tornar uma vazio..." Emerald Herald.
Outras mecânicas também foram incorporadas de Demons Souls: Em Dark II também existem mais itens disponíveis para regenerar a energia do personagem além do já conhecido Estus. Em contra partida o personagem começa sem nenhum frasco de Estus e apenas durante o jogo é que ele vai encontrando estes itens (podendo chegar ate o máximo de 12 - um pouco mais que os 10 que podíamos ter desde o inicio do primeiro game, ao fortalecer as fogueiras).
Uma outra mudança é que desta vez temos muito mais inimigos comuns que, as vezes, são mais fortes do que alguns chefes de fase! Isso faz com que sempre andemos com cautela pois aquele bichinho esquisito e solitário no meio do nada, as vezes pode tirar toda a sua energia com duas ou três pancadas.
Entretanto houve uma diminuição geral no nível da dificuldade no caminho principal da aventura, deixando que os chefes mais difíceis e desafiadores do game fossem opcionais para os players mais veteranos da serie. Em contra partida (e por causa da reclamação dos fãs) o conteúdo extra do jogo é de longe o que de mais difícil eu já encontrei na serie Souls. Tanto os chefes principais quanto os opcionais, nas três DLCs do game, são adversários cabeludos e somam para tornar o desafio de Dark II ainda maior que o de seu antecessor.
Coincidentemente ou não (embora eu tenha certeza que não) o diretor original Hidetaka Miyzaki apoiou mais de perto a equipe de produção durante o desenvolvimento das DLCs e isso prova que a alma perversa por trás das maldades que esta serie nos apresenta partem muito da mente desse cara.
Para aqueles que compraram o jogo na pré venda ainda existe um bônus que facilita ainda mais a aventura: Um kit com algumas armas overpower que, normalmente, a maioria de nós só tem acesso na parte final da campanha principal! Não são os itens mais fortes do jogo é verdade, mas são muito mais fortes do que a maioria das armas que você ira encontrar durante boa parte da campanha.
A jogabilidade do game não mudou muita coisa em relação aos dois títulos anteriores e um fato que se repete na serie é que mais de 50% dos itens são os mesmos dos jogos passados (mudando apenas alguns atributos, suas lores individuais ou seus nomes). Para quem já veio treinado dos jogos antigos, toda aquela etapa de adaptação e descoberta é quase que totalmente eliminada. Não apenas os itens e armas são os mesmos em sua maioria, mas as magias, feitiços e classes funcionam quase da mesma forma. Temos algumas diferenças sutis é claro: Em Dark II as armas da mão esquerda não estão limitadas ao ataque forte por exemplo. Isso por si só já abre muitas possibilidades para criação de build hibridas fantásticas (alguém ai que já tenha sido invadido por um feiticeiro full havel, de cajado e great sword, sabe do que estou falando :( )
Ao contrario do que a maioria dos fãs diz no entanto, Dark Souls (seja o primeiro ou o segundo) esta longe de ter um gameplay dinâmico e fácil de se adaptar. O sistema para troca de itens e feitiços é um grande exemplo: Em Dark 2 você pode carregar uma penca de itens ao mesmo tempo, mas poucos jogadores fazem uso deste recurso devido a forma nada pratica como selecionamos estes itens durante um combate. Não existem botões de atalho para os itens alocados e precisamos ficar girando a rodinha do mouse ate que o item que buscamos apareça; e ai reside o grande problema! Se, por efeito do calor da batalha, você rodar rápido demais o botão do mouse e, sem querer, passar direto pelo item que queria utilizar, terá de dar a volta mais uma vez por todos os seus itens equipados ate chegar novamente naquele que tanto quer! (E isso vale também para feitiços). Num teclado com tantos botões não utilizados, um jogador de pc percebe facilmente que isto não é uma boa ideia.
Isso também vale para armas equipadas mas, como ficamos limitados a 3 itens por mão, nesta parte raramente vamos sofre com esta mecânica.
Outra coisa que muitos fãs pregam e que definitivamente não é verdade, é que Dark Souls seria um jogo justo! Mas isso definitivamente ele não é mesmo!
Já ficou preso em um corretor bem apertado com outros inimigos? Numa situação destas a maioria dos seus ataques vão ficar presos nas paredes laterais e você não irá conseguir lutar direito; os inimigos por outro lado conseguem atacar através das paredes e humilhar você com suas incríveis habilidades de ignorar a física do game.
Muitas e muitas vezes você também ira morrer ou ser penalizado por culpa de hitboxes incrivelmente maiores do que o seu personagem. É como se você fosse o Ornsteis e sua hitbox fosse a do Smough (deu pra sacar?). Assim como nos games anteriores é possível errar esquivas que visualmente foram perfeitas, ou mesmo tomar um Backstab estando a meio metro de distancia do inimigo. Em golpes do tipo "agarrão"é que conseguimos notar com nitidez estas falhas técnicas. É possível ver claramente o seu personagem desaparecer do lugar onde estava e reaparecer na mão ou na boca do inimigo (e isso infelizmente não é nada raro).
Na parte sonora Dark II infelizmente não conseguiu manter-se tão glorioso quanto os seus antecessores. Poucas são as musicas que irão ficar na sua cabeça depois de terminar o game e, pra ser sincero, hoje enquanto escrevo, só consigo me recordar da musica de Majula e da musica da batalha final contra o Boss Aldia.
Graficamente, apesar de não ser um jogo feio, Dark Souls II apresentou imagens muito inferiores aquelas que foram prometidas em seus trailers. Mesmos com cenários belíssimos e uma ambientação ótima, graficamente Dark II estava bem abaixo dos games que foram lançados na mesma época.
Quanto a história, de forma a não dar spoiler pra galera, segue sendo um dos pontos que mais me conquistou no jogo. Assim como o jogo não te pega pela mão, indicando o caminho que deve ser seguido ou o que deve ser feito nas fases, ele também não te entrega praticamente nada da historia do reino e, não raras as vezes, muitos dos diálogos com os NPCs pouco te diz sobre o panorama geral das fases. Na maioria das vezes são detalhes individuais e analisados pelo ponto de vista do personagem (e estes pontos de vista são bem distantes da realidade).
Descobrir a lore do game é uma campanha a parte, que demanda tempo, dedicação e muita atenção a detalhes do cenário (como o posicionamento dos inimigos, dos tesouros, do ambiente ao fundo e muito mais.)
Para aumentar a tensão ainda existe a possibilidade de sermos invadidos a qualquer momento por outros jogadores e até mesmo de sermos invocados ao mundo deles (contra nossa vontade) para enfrenta-los. Em contrapartida também podemos invadir o mundo de outros jogadores, unir forças para ajuda-los em trechos do game e pedir ajuda também. Tudo administrado através de uma mecânica de covenantes (ou grupos, como gosto de chamar!), complexa para explicar numa simples análise, mas que funciona de forma muito interessante dentro do jogo (Quem ai já teve de enfrentar outro jogador na batalha contra o Cavaleiro do Espelho sabe bem que certos momentos PVPs podem ficar marcados!).

Dark Souls II foi um dos jogos atuais mais difíceis que já joguei. Não pela dificuldade dos inimigos em si, afinal muitos jogos por ai podem ficar muito difíceis quando aumentamos o nível de dificuldade ao Maximo (sério, alguém ai já tentou jogar Skyrim no nível mais difícil ?!), mas sim pelo fato do jogo não me pegar pela mão em nenhum momento. Ate o fim eu tive que descobrir como cada classe funcionava, cada arma, qual rota seguir, para que serviam cada item (muitos não tem descrição clara), qual a brecha na defesa de cada chefe, suas fraquesas... Enfim, definitivamente tudo! Da primeira vez que joguei foram mais de 70 horas para finaliza-lo e tive muitos momentos realmente insanos durante o gameplay. Não vou esquecer jamais do safado do Perseguidor, da Rainha Esquálida e do Fume Knight, da dupla de Tigres nas arredores frigidos e do Rei de Marfim. Combates épicos pra se guarda na memória.
Esta ai um jogo que eu recomendo pra qualquer um que goste de um bom desafio. Só não vale ficar vendo dicas na internet e depois falar que eu estou exagerando.
Um abraço a todos. :)

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