Sabe aquelas situações em que o título do game casa completamente com o jogo inteiro (do começo ao fim)?! O nome da sequencia direta de Dead Island não poderia se chamar nada além de "riptide" (repetição). Tirando alguns pequenos detalhes técnicos e o acréscimo de algumas side Quests diferenciadas, DIR consegue ser exatamente igual ao seu antecessor (tanto em seus pontos positivos quanto em seus pontos negativos). Eu poderia simplesmente copiar quase 80% do que escrevi na critica do primeiro game e colar aqui nesta critica e tudo fluiria com sentido e bem descrito. Claro que isso não é o certo a fazer, então vamos analisar o game de forma tradicional mesmo (apesar do fato de que vou soar extremamente repetitivo).
Falando do enredo do game (sempre sem spoilers), tivemos aqui uma pequena melhora em relação ao seu anterior. O game continua com aquelas animações pobres e amadoras, e aquela "profundidade" nada convincente de seus protagonistas, mas em relação ao Background e as historias paralelas contadas pelos arquivos files e gravações de voz, a coisa toda caminhou para um terreno menos nebuloso. O jogo da Techland não deixou os clichês de lado, criou uma linha de historia empolgante ou nos apresentou um pouco mais do passado dos figurões do jogo, mas ao menos inovou em alguns detalhes que nos motivam um pouco a buscar data files e explorar os enormes ambientes. Um destes motivadores são duas historias paralelas, contatas através de arquivos de áudio, onde tomamos conhecimento de toda a confusão ocorrida durante a explosão do apocalipse zumbi. São situações de sobrevivência bem narradas por estes coadjuvantes, que nos deixam com um pouco de curiosidade em saber se eles conseguiram ou não escapar da bendita ilha.
Existem também os assim chamados "Arquivos Secretos", que "revelam" os grandes mistérios do jogo e finalmente preenchem as lacunas deixadas de forma proposital no enredo do primeiro jogo.
Ao menos não existem mais aqueles cartões de identidade de Dead Island, cuja única motivação que tínhamos em busca-los eram as conquistas de Achievements da Steam (que nos obrigavam a pegar no mínimo 120 itens colecionáveis). Em Riptide cada file conta uma micro historia (ou partes de uma historia), e este pequeno detalhe já serviu para uma melhora no pano de fundo do apocalipse zumbi. Não esperem mais do que isso porem...
O gameplay segue o esquema do primeiro jogo, focando na exploração assídua dos enormes ambientes da ilha e no cumprimento de Quests e sidequest. Chegou em um novo acampamento, apanhe as quests, as sidequest e saia para explorar e matar zumbis. Pequenas missões de resgate estão espalhadas por todo o jogo e só podem ser descobertas visualmente (não existem indicações nos mapas ou NPCs que as entregam ao protagonista). Para aqueles que curtem completar todas as missões de um jogo para não deixar nada para trás (como eu) essas missões acrescentam um novo motivador à exploração; agora não haverá apenas itens ou algum data file escondido por ai, pode ser que exista alguém em perigo e você precise matar uns zumbis para salva-lo. Bacaninha.
Outro ponto de interesse durante as explorações são os Super Zumbis. Monstros de tamanho avantajado, mega fortes (ou mega rápidos) que ficam escondidos dentro de zonas cercadas (chamadas de Dead Zones) liderando grandes grupos de outros canibais mortos. Existem em todo o jogo 13 destes monstrengos avantajados. Se você for um explorador assíduo, cedo ou tarde vai ter que enfrentar alguns deles (eu cacei e matei todos).
Outro acréscimo que merece destaque e que diferenciou Riptide do titulo original (de forma acertada quando atentamos para o fator de imersão) é que agora não ficaremos mais sozinhos durante toda a jogatina (seja no modo coop ou singleplayer). Desta vez os protagonistas que não controlamos ficam dentro dos acampamentos de sobreviventes e durante as diversas missões no melhor estilo Tower Defense (sobreviva ao ataque da horda e proteja os sobreviventes) eles lutarão do nosso lado (controlados pela IA, auxiliando na chacina de zumbis). É possível ate mesmo completar missões especiais para aumentar o nível dos NPCs dentro dos abrigos e facilitar o gameplay na hora destas batalhas frenéticas (acreditem: É zumbi e pedido de socorro pra tudo quanto é lado!)..
São acréscimos super positivos à estrutura do jogo que poderia ter rendido muitos pontos positivos à Techland se ela não tivesse montado o segundo game inteiro encima do primeiro! Houveram apenas acréscimos ao jogo como um todo (na historia, em side quests, nas habilidades dos protagonistas, no número de protagonista – agora são cinco ao invés de quatro - nas possibilidades de veículos), mas todos os pontos negativos apontados por todos aqueles que jogaram o primeiro titulo estão novamente em Riptide. Literalmente todos!
Os NPCs sãos os mesmos (em termos de "modelo" de personagem é claro), as movimentações de robôs sem lubrificação, os bugs...'Tudo esta de volta. Prestando atenção aos cenários você nota que tudo foi reaproveitado: Os modelos de arvores, estruturas, veículos, armas, itens - ate mesmo os jornais e revistas encima das mesas e pequenas objetos que montam o cenário. É por isso que literalmente Dead Island Riptide deveria ser uma DLC.
Ok, poderia ate ter o preço de um novo jogo (afinal são mais de 30 novas horas de gameplay e 80 novas missões espalhadas por 2 novos e enormes mapas para explorar), mas a galera já saberia o que iria encontrar e não ficaria desapontada ao perceber estes detalhes. Mas vende-lo como um jogo novo acabou sujando um pouquinho mais a imagem da Techland - Pois de fato não é um jogo novo!
Vamos exemplificar com outro game: É como se Street Fighter V tivesse sido lançado um ano depois do IV, com os mesmos modelos de personagens e golpes, mudando apenas os cenários, as historias e acrescentando novos lutadores. Isso não seria um Street Fighter V de verdade, seria? Pois é, essa é a relação entre Dead Island Riptide e seu jogo anterior.
Como eu gostei bastante do primeiro Dead Island, por tabela acabei gostando bastante do segundo, e a sensação de estar jogando o mesmo game não me deixou chateado ou desanimado. Recomendo Dead Island Riptide para qualquer um que, assim como no primeiro game, quer apenas esmagar e destroçar zumbis. Se você não enjoou do estilo do game e gostaria de fazer tudo novamente em cenários diferentes e um novo pano de fundo, você provavelmente vai gostar do segundo jogo também. Se quiser história ou não gostaria de repetir exatamente a mesma experiência do game original, recomendo nem jogar Riptide.
Assim como o seu antecessor, o jogo se mantém encima do muro e você poderá ama-lo ou odiá-lo. Tenha em mente que esta série da Techland é puramente um hack n slash em primeira pessoa e com zumbis. Nem mais e nem menos!
É isso ai jovens, agradeço pela atenção mais uma vez!

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