quarta-feira, 6 de julho de 2016

O TERCEIRO FINAL FANTASY MAIS VENDIDO NA HISTÓRIA DA SÉRIE...

Quando o assunto é RPG, não há quem não conheça a série da Square. Final Fantasy acompanha os jogadores desde 1987, oferecendo uma nova história e um novo gameplay a cada jogo, fazendo com que cada capítulo de sua franquia se torne único (seja de forma ruim ou de forma boa). Tanto para formular uma crítica quanto para elogiar, Final Fantasy é sempre uma referência e esta sempre na boca dos jogadores – tanto dos que gostam da franquia quanto dos que não gostam.
Após o sucesso estrondoso de Final Fantasy VII no Playstation 1 a série tinha uma responsabilidade de peso nas costas: Superar a história do jogo anterior e o carisma de seus personagens – tanto heróis como vilões; não seria uma tarefa fácil.
Sobre ter conseguido alcançar este objetivo ou não, a grande maioria dos jogadores concorda que não, mas o que pode ser garantido é que a equipe de desenvolvimento do oitavo game da franquia trabalhou muito nesta tarefa e não teve medo de distanciar a proposta geral deste game em relação à seu anterior. Tanto a parte visual quanto a história seguiam direções bem diferentes, apesar de manter as tradicionais “receitas” presentes em todos os jogos da franquia.
Se formos considerar apenas a parte “técnica” e a apresentação de resultados, Final Fantasy VIII não superou o seu antecessor, mas chegou bem perto, tornando-se o terceiro jogo mais vendido da franquia, sendo superado apenas pelo também ótimo Final Fantasy X (segundo game na lista dos mais vendidos da série).
Vamos inicialmente falar de um dos pontos de maior qualidade e facilmente perceptível no game, que são os seus gráficos e o quanto eles evoluíram – tanto em relação ao game anterior quanto em relação aos jogos de RPGs que existiam até aquele momento. Das novidades que vieram para o novo game, os gráficos são uma das mais fortes, apresentando pela primeira vez personagens não caricaturados (entendam como: Corpinho + cabeção), e permitindo pela primeira vez que vejamos mais do que apenas o personagem principal circulando pelo mapa – nos games anteriores os outros personagens só apareciam nas cutscenes, em Final Fantasy 8 também era possível ver os outros dois membros da equipe acompanhando o personagem principal nas corridas livres pelo mapa.
Apesar de FF 8 utilizar a mesma base do jogo anterior para criar suas cenas (personagens 3D em tempo real sobre cenários pré-renderizados) o corpo, tanto de personagens principais quanto dos NPCs, tinham muito mais detalhes, o que facilitava muito mais na imersão da história. O simples fato de os modelos de campo corresponderem aos modelos de batalha, criou muito mais coerência no design e é um dos maiores destaques visuais do jogo em relação aos seus antecessores.
Nem vou focar nas cenas de computação gráfica que o game exibia, pois elas eram espetaculares naquela época. Aliás, sempre que se fala de Final Fantasy e gráficos, a Square nunca deixou a desejar, sendo que cada novo game da franquia sabe explorar os limites de suas plataformas.
Depois dos gráficos vou pular para outra parte simples da análise, que é sua trilha sonora. Ela não é perfeita no geral, e não causa tanto impacto quanto as músicas de Final Fantasy VII e a de alguns jogos que vieram depois (Final Fantasy X eu estou falando de você!!!), mas também não faz feio durante o gameplay. Apesar de possuir menos músicas marcantes, a trilha do game cumpre o seu papel e ajuda bastante na imersão das cenas.
A base de qualquer Final Fantasy sempre foi sua história. Cada novo game apresenta um novo universo, vilões, história e personagens principais. Apesar da série repetir muitas de suas receitas em todos os jogos (como protagonista Orfão, vilão que quer destruir o mundo, um personagem cômico, uma moça que é sequestrada e alguns outros esquemas "táticos"), cada aventura possui suas diferenças típicas e focos variados (até porque, as fórmulas de Final Fantasy não são exclusivas da Square e estão presentes nos cinemas, nos livros, no animes, nos quadrinhos e em tudo mais – são elementos característicos que podem ser encontrados na maioria das grandes aventuras: De Senhor dos Anéis à Harry Potter, passando por 90% dos filmes e HQs de heróis, seriados de TV e afins).
Final Fantasy VIII explora estes elementos familiares mas dá um foco especial no romance dos protagonistas Squall e Rinoa, puxando mais para o lado “fantasia” e menos para o lado comum – quem ai curte os livros de Nicholas Spark tem grandes tendências de gostar da história ^_^ . Depois de praticamente ter frustrado o par romântico do jogo anterior, com um “finalmente!” que nunca chegou e deixou os fãs de Final Fantasy VII até hoje esperando por um final feliz ao casal, Final Fantasy VIII buscou o oposto e apostou forte no sentimento, com uma história que incluía “encontros do destino”, “amor à primeira vista”, um rival não declarado e um grande perigo que deveria ser vencido para que este amor pudesse acontecer.
O protagonista do game é Squall Leonheart, um estudante de uma academia militar reconhecida em todo o mundo. De inicio ele é exatamente o oposto do que se espera de um personagem “heroico”, agindo com egoísmo, frieza e de vês em quando, dando umas boas “patadas” nas pessoas que tentam puxar assunto com ele.
Os outros personagens formam um grupo heterogêneo, mas ao mesmo tempo, típico de um game Final Fantasy: O impetuoso, mas de boa índole Zell Dincht; o impetuoso, mas mal-humorado Seifer Almasy; A infantil Selphie Tilmitt; A precoce Quistis Trepe; e a agradável Rinoa Heartilly.
Enquanto as motivações dos personagens são mais trabalhadas individualmente, suas histórias acabam apelando muito pouco por sua simplicidade e mais naturalidade, eles agem como pessoas normais de acordo com suas personalidades e não são influenciados por tragédias e crises existenciais.
O bacana da história é que tudo começa com uma missão aparentemente política, que apesar de perigosa, acaba se transformando em algo muito maior do que os próprios objetivos militares da academia, e logo o que parece ser algo localizado e singular, passa a incluir todas as nações do planeta e até mesmo além.
O mundo de Final Fantasy VIII e sua história são bem detalhados e ainda existem algumas teorias interessantes sobre as relações de alguns personagens no jogo que a anos leva os fãs do game a se questionarem sobre o que seria verdade e o que não seria. Claro que não posso detalhar nada disso aqui pois seria spoiler atrás de spoiler, mas um dia irei escrever um artigo sobre isso no Alva para mostrar essas informações pra galera.
Partindo agora para o gameplay e o sistema de batalha:
Tudo é administrado pelo tradicional e antigo sistema de turnos, com cada lutador e adversários podendo realizar uma ação cada vez que sua barra de ATQ esta completa. Mas claro que, assim como manda a tradição da série, o novo jogo traz consigo vários sistemas novos também.
O sistema para criação de armas, o sistema de evolução, o sistema de magias e o sistema denominado de “Junction”, ou simplesmente, junção.
O sistema de armas anda lado a lado com o sistema de evolução do game e se complementam de forma superinteressante. Em Final Fantasy VIII os inimigos do cenário sempre terão os seus níveis baseados nos níveis dos personagens do jogo; ao mesmo tempo em que isso elimina a obrigatoriedade de ficar matando inimigos o tempo todo em uma determinada área do mapa apenas para aumentar de Level (coisa que eu particularmente odeio!), concede ao jogador liberdade de experimentar o game do jeito que quiser: Se quiser explorar tudo e ficar lutando com monstros ok, e se quiser ignorar tudo e apenas seguir a campanha principal, também esta ok! O nível dos desafios será – de certa forma – parecido para os dois tipos de jogadores, agradando Gregos e Troianos.
Os danos nos ataques são principalmente baseados nas armas que os personagens estão usando mas também irão depender diretamente do sistema de Junction (que irei explicar mais adiante), e das magias que você irá colocar em cada atributo. Para conseguir melhorar suas armas os jogadores precisam ler revistas especiais que podem ser encontradas ou compradas durante a aventura, ler os materiais que são necessários para forja-las, adquirir estes materiais através da pilhagem dos monstros ou do refinamento de cartas (outra coisa que explicarei mais adiante!), e depois levar tudo isso à uma loja e produzir o equipamento novo.
É um sistema bastante interessante que leva os jogadores a explorarem bastante os mapas, tanto nas cidades quanto dos lugares em seu entorno, para poder buscar sempre as melhores armas para cada personagem. Cada arma também concede um novo ataque especial único para cada membro do grupo – chamados de Limit Break – que podem ser executados durante o combate para causar grandes danos nos inimigos (alguns membros do grupo porém, adquirem seus ataques especiais de maneira diferente, como Rinoa por exemplo – onde precisamos ler revistas especiais para aprender novos ataques – ou Quistis – que aprende as magias dos inimigos através de alguns itens especiais que precisamos farmar).
No sistema de magia temos grandes mudanças. Em Final Fantasy VIII não existe MP, e as magias são contadas como se fossem “itens”. Os personagens podem estocar magias e outros itens dos inimigos usando o comando Draw, e até mesmo utilizar as magias do inimigo contra eles mesmos. As magias são importantes também para aumentar o dano dos ataques físicos e outras características dos personagens dentro do sistema de Junction.
Mas a final, o que é esse sistema de Junction ?!?
Em final Fantasy VIII, os monstros que podem ser invocados por sua equipe se chamam Guardian Forces (GF). Guardian Forces são espíritos ou divindades com poderes que podem ser atribuídos a elementos da natureza ou a magias do próprio jogo. Naturalmente os humanos não são capazes de utilizar magias, mas eles podem entrar em junção espiritual com estas criaturas místicas para fortalecer o próprio corpo e ganhar muitas habilidades.
Os GF também ganham experiência do mesmo jeito que os personagens, com a diferença que a experiência que o personagem ganha nas lutas é divida por todos os GFs que ele esteja em junção. Quanto mais tempo você deixar um personagem em junção com um determinado GF, mais tempo a afinidade entre os dois aumenta e as invocações durante as batalhas podem ser realizadas mais rapidamente.
Os guardiões podem destravar diversas habilidades através dos pontos de AP, recebidos a cada batalha. Dentre as inúmeras habilidades que podem ser destravadas, e dos inúmeros efeitos que elas podem realizar ao longo do seu gameplay, estão as chamadas Junction Ability, que é justamente o que vai permitir que o sistema de junção funcione.
Cada Junction Ability permite que o personagem atribua suas magias à um determinado status, podendo aumenta-lo ou atribuir características especiais. Atribuir um grande número de magias de fogo na defesa, por exemplo, permite absorver ou diminuir o dano de fogo, atribuir Death a defesa elemental permite se tornar imune a este status e se proteger de inimigos que utilizam esta magia, atribuir Tornado ao ataque pode aumentar significativamente o dano contra inimigos que são fracos contra este elemento... E por ai vai! As possibilidades de associação são enormes, os efeitos que podem ser gerados também, e cabe ao jogador explorar estes limites e criar as combinações que mais achar adequadas para cada situação.
Existem ao todo 22 Guardiões no jogo, cada um com suas habilidades e efeitos únicos.
É até verdade que, num primeiro momento, os seus GFs são ridiculamente poderosos e podem acabar com algumas lutas muito rapidamente, mas conforme o jogo progride, as suas forças tornam-se menos desequilibradas e absolutamente necessárias. Chegando até um ponto em que os GFS são basicamente esquecidos como atacantes e funcionando basicamente como provedores de junções.
A forma de se conseguir grana no jogo também é um pouco diferente do convencional. Aqui você não pode vendar itens ou equipamentos em lojas, o dinheiro é recebido através do seu salário de recruta, pago eventualmente em um intervalo de tempo, e diretamente relacionado ao seu rank dentro da SEED (a organização militar onde os personagens do jogo trabalham). Esse rank pode aumentar ou diminuir baseado nas suas ações durante o jogo e também pode ser aumentado realizando avaliações no seu terminal de computador, dentro da sala de aula. Cada prova realizada, quando com 100% de acerto, concede um aumento de nível.
As questões são sempre baseadas em informações do mundo do jogo, e provas mais avançadas exigem conhecimentos mais avançados do mundo, dos monstros e da história; desta forma exercendo um controle no jogo sobre os níveis de salário que um jogador novato pode ter.
O jogo Card Battle ainda completa o pacote do jogo!
Existem centenas de cartas para recolher e trocar, além de variações locais sobre o conjunto de regras das partidas, ajudando a tornar cada partida diferente da outra. Algumas cartas são ganhas de batalhas contra oponentes; outras são encontradas usando o comando "cartão" (adquirido de GFs) em um inimigo enfraquecido. Além do mais, cartas raras podem ser convertidas em itens raros; itens raros podem ser convertidos em armas raras. Em outras palavras, a sua habilidade no minigame pode afetar o jogo principal em si.
Basicamente ainda existem muitas informações sobre o game que dariam umas boas páginas para falar, mas resumidamente é isso ai. Final Fantasy VIII fez um grande sucesso na época em que foi lançado, bateu recordes de venda e permaneceu por muito tempo no pódio dos jogos mais vendidos da série. É um jogo indispensável para quem gostaria de conhecer o passado da série ou jogar os games de maior sucesso do velho e ainda falado Playstation 1.
Aviso apenas que, assim como os games anteriores, FF 8 esta datado graficamente, mas ainda proporciona uma boa experiência para quem curte RPG e uma história de romance – ainda que inspirada por elementos comuns do gênero.
Um abraço a todos!

Nenhum comentário:

Postar um comentário