quarta-feira, 6 de julho de 2016

UM CASTLEVANIA 3D QUE ACERTOU NA “RECEITA”...


Com mais de 25 anos de história a série Castlevania variou bastante de estilo em seus jogos. No período Pré-Symphony Of The Night a série tinha apenas dois games no estilo MetroidVania - sendo que a grande maioria dos gamers da época (eu inclusive!) conhecia apenas o Castlevania 2 Simon’s Quest do Nintendinho; já que poucos tinham acesso a um MSX na época para jogar o primeiro game da série chamado Vampire Killer. Quando Vampire Killer foi convertido para NES ele já chegou como um game de Ação e Plataforma Linear e com o nome de Castlevania. Após Castlevania 2 a série entrou na era da “Ação e Plataforma Linear”; foram ao todo 8 jogos neste estilo lançados após Simon’s Quest e no geral (com exceção de Dracula x – Rondon Of Blood, Super Castlevania IV e Bloodlines) eram muito parecidos e pouca novidade surgia de um título para o outro.
Então chegou 1997 e Symphony Of The Night foi lançado! Ele trouxe muita inovação para a série e voltou com o estilo do jogo original. Foi o game responsável por tornar a franquia muito conhecida atualmente e também foi porta de entrada para muitos jovens gafanhotos à luta dos Belmonts contra o conde Drácula.
Então o Playstation passou e chegou a era dos games 3d...
A série Castlevania teve muita dificuldade para emplacar um bom game 3d.Castlevania 64Lament Of Innosence e Curse Of Darkness foram games que eu particularmente gostei, mas infelizmente não tiveram vendas muito rentáveis para a Konami. Pelas pesquisas que eu fiz antes de fazer a análise, no geral, os games citados não seguiam fórmulas tradicionais de games de ação 3d da época o que, no fim, acabou por direciona-los mais para os jogadores que já conheciam ou que já simpatizavam com a franquia. Infelizmente a Konami não atentou que, após o game MindBlower do Playstation 1, os fãs e os jogadores de Castlevania queriam jogos similares a Symphony Of The Night (ou seja: Jogos não lineares, de plataforma 2d e exploração livre).
Quando a konami finalmente compreendeu os fãs a série Castlevania entrou na era “Ação e Plataforma Não Linear”. Foram ao todo 9 jogos nesta linha (incluindo dois games 3d lançados para o Playstation 2 e já mencionados anteriormente – e que eu até hoje não consigo entender porque a galera não curtiu!). Havia poucas mudanças de jogo para jogo e estas mudanças estavam sempre focadas no sistema de evolução dos personagens, em suas histórias individuais para estar no castelo do Conde Drácula e em algumas mecânicas no gameplay (como no caso de dois games do Nintendo DS onde é possível alternar entre os protagonistas para criar combos e resolver quebra-cabeças). No fim, porém, ainda era notável a influencia de Symphony Of The Night a cada novo game. Com o passar dos anos porém, a Konami sabia que de uma forma geral, não dava para manter a série focada apenas em games para portáteis e que um jogo 3d para os consoles atuais deveria ser criado mais uma vez.
A aposta em minha opinião foi positiva e após delegar a criação do game a espanhola Mercury Steam, nasceu Castlevania Lords Of Shadow; game que fez a franquia retornar as suas origens da primeira era (Ação e Plataforma Linear) e que, nas palavras do produtor David Cox, “foi o jogo mais bem-sucedido da franquia; inclusive superando (em vendas) os títulos de Castlevania dos anos 1990”. OBS: Sobre esta informação porém, eu não achei confirmação em termos de valores de vendas. Se alguém souber quanto o game vendeu REALMENTE e quiser me corrigir, estamos aqui pra isso! Alias, a Konami não é muito de informar os números de vendas desta saga em particular: Também não achei referências a numero de vendas dos games do DS, no Game Boy Advanced e nem mesmo no Playstation!
CURIOSIDADE FORA DE CONTEXTO: O termo MetroidVania surgiu lá em 1986 quando o primeiro game da série Castlevania foi lançado (Vampire Killer). No mesmo ano um game com uma estrutura muito semelhante foi lançado no console da Nintendo chamado Metroid – eles seguiam a linha de Ação e exploração não linear. Como foram lançados em datas aproximadas e por isso os críticos não encontraram a possibilidade de um game ter copiado o outro, a galera da época criou o termo MetroidVania para atribuir a criação do gênero a ambos os games e não cometer nenhuma injustiça. Agora, voltemos para a análise:
A Mercury Steam, percebendo aonde os Castlevanias 3d anteriores falharam, resolveu criar um título mais focado no mercado consumidor geral e que incorporasse os principais elementos da série para manter o interesse dos fãs. A empresa espanhola resolveu então fazer um apanhado de tudo quanto foram mecânicas de jogos de ação em 3d que deram certo e que foram bem recebidas pelos jogadores e copiou cada uma delas de forma escrachada para o desenvolvimento de seu próprio título: Temos as QTEs de God Of War, as escaladas de Uncharted, as batalhas contra gigantes de Shadow Of The Colossus e, direto do game Lament Of Innocence, a jogabilidade e o sistema de câmera fixa. Tudo isso, junto e misturado, com algumas mecânicas novas!
Isso faria com que o título perdesse muito em originalidade mas, por serem mecânicas que o mercado gamer estava acostumado a consumir, mesmo com muitas reclamações por parte dos fãs mais ardorosos da franquia, a aceitação do público e da crítica especializada foi bem positiva.
OBS: Não se enganem porem ao acharem que o título ficou irreconhecível! Logo nos primeiros 5 minutos de jogo qualquer um já consegue identificar o game como um autentico Castlevania: As facas como armas secundárias, lobisomens, um Belmont com o velho e conhecido chicote... E assim vai por todo o tempo. Após o capítulo IV, quando começarem a aparecer as vilas e as construções e castelos góticos, com aquelas pitadas de “lugar abandonado por Deus” que a séria sempre soube explorar, fica tudo ainda mais facilmente perceptível.
Outra mudança significativa foi na estrutura geral do jogo: Não haverá mais um grande e único castelo para ser explorado do chão ao teto e nem idas e vindas pelo cenário a procura de itens, poderes ou chaves. O jogo permite que o player revisite qualquer fase em qualquer momento durante o gameplay para explorar e tentar alcançar itens que antes eram inalcançáveis (quando o protagonista ainda não possuía uma habilidade ou outra), mas, a menos que você esteja iniciando o jogo na dificuldade Warrior ou Knight, pode passar tranquilamente pelas fases sem se preocupar muito com estes detalhes (mas explore as fases para encontrar os upgrades de magia e energia – eles ajudam muito!). O foco deste game é a bem vinda variação de cenários, os combates e a resolução de puzzles (não é novidade na série! Curse Of Darkness por exemplo não possuía  um cenário único - mas aqui as variações são mais atenuadas e foi uma característica bem exportada do game do Playstation 2).
Os combates de Lords Of Shadow são complexos e não adianta apenas amassar botões nas duas dificuldades mais elevadas. Com o avançar do gameplay os inimigos rasos (entenda como saco de pancadas) deixam de vir sozinhos e quase sempre vem em grupinhos com criaturas maiores, mais rápidas e mais espertas, que exigirão pensamento rápido e estratégico para ganhar a luta. No geral o jogo possui tantos combos e golpes diferentes que pra mim foi bem difícil aprender ou utilizar todos eles. O que eu fiz foi analisar os golpes que eu mais utilizava durantes a pancadaria ou os que mais eram uteis dentro do meu estilo pessoal de gameplay (mais defensivo, utilizando-me sempre do bloqueio no tempo certo para encher a barra de energia mais rapidamente) e focar em deixa-los mais fortes e em comprar algumas variações ou derivações deles.
As magias de LOS também influenciam em alguns combos e nos ataques das armas secundárias, o que aumenta bastante as possibilidades durante as etapas de hack n’ slash. Existe a magia da luz e a magia das trevas. A grosso modo, uma ajuda à energia de Gabriel a se regenerar e a outra ajuda as armas e os combos a causarem dano mais pesado. Cada uma destas magias se regenera com a absorção de orbs que são liberados pelos inimigos derrotados; mas as energias liberadas pelos inimigos são neutras, então cabe ao jogador definir durante o combate – enquanto bate e esquiva dos inimigos – qual delas é mais interessante ir recuperando. Isso acrescenta muito peso e estratégia à forma como você luta, permitindo que você crie um estilo próprio de combate mais focado no seu jeito pessoal de jogar. Sem contar que alguns combos só podem ser realizados quando uma ou outra magia estiver ativa, então é sempre bom pensar antes de agir.
As musicas de Lords Of Shadows são boas e, de uma forma geral, foram muito bem orquestradas. Digamos que seria uma trilha boa de um bom filme medieval. Infelizmente aqui o meu gosto pessoal pesa mais para o lado das trilhas dos Castlevanias anteriores , que puxavam para um estilo meio Rock Gótico misturado com musica clássica. As músicas eram sempre foram marca registrada da série e bastava ouvi-las para saber que tratava-se de uma trilha de um Castlevania.
A história do game também teve uma grande mudança: Inicialmente tudo se resume a velha e boba busca por vingança, mas logo interesses de outras pessoas e “coisas” começam a recair sobre as costas de Belmont. Revelações e reviravoltas sobre aquilo que se conhecia em relação aos Lords das Trevas vão surgindo aos poucos e desenhando um universo vivo muito mais sombrio do que o caçador da irmandade poderia imaginar. Mensagens encontradas em pergaminhos nos corpos de guerreiros mortos ajudam a reforçar o BackGround de um mundo devastado e abandonado pelos deuses. No geral é uma boa história, com mais de 15 horas de conteúdo não repetido, e com ótimas narrativas antes do inicio de cada fase.
E por fim, se você ainda não jogou este game e conseguiu resistir e evitar os spoilers sobre a cena final, então posso garantir que o fim real do jogo – aliado as duas DLCs que já estão inclusas na versão de Pc – acrescentam muito a trama deste Castlevania em termos de surpresa e reviravolta.
Os gráficos do jogo ainda hoje são muito bonitos e, na época que saíram para PC, chamavam ainda mais atenção (principalmente quanto a otimização do game na parte de efeitos gráficos: Os requisitos máximos pedidos para rodar o game na época eram bem pequenos!). Não era o top  mas impressionavam, mesmo assim.
Infelizmente o jogo não deixou de apresentar problemas e muitos deles poderiam ser evitados se a equipe da Mercury Steam tivesse atentado para as críticas e análises envolvendo os games que ela mesma copiou! Ironicamente ou não, o erro mais gritante do jogo (e também o mais facilmente perceptível) veio direto de um game da franquia: A câmera tosca de Lament Of Innocence! Este problema inclusive foi evidenciado como um dos pontos negativos mais gritantes do primeiro game da franquia Castlevania para o Playstation 2 – mas a Mercury Steam importou este modelo de gameplay e trouxe junto todos os seus pontos negativos.
Em muitos momentos do jogo a câmera até funciona bem e algumas vezes até esquecemos que estamos sem o controle dela, mas no momento que mudamos de ideia quanto a rota e decidimos voltar um caminho, ou durante muitas das lutas, ela sacaneia o jogador e até mesmo prejudica sua performance durante a jogatina (escondendo os inimigos da nossa área de visão e nos forçando a pular sem motivos ou bater no vento para evitar ataques indesejados). Isso é pouco perdoável em um game que até mesmo nos desafia a passar algumas fases sem sofrer danos...
Terminei o jogo no nível Knight no mês passado e preciso admitir que fiquei injuriado com os ângulos que a câmera assumia durante alguns confrontos. Em batalhas contra inimigos muito fortes eu gostava de encher a barra de combos ao máximo para poder manter minhas magias cheias o máximo de tempo possível enquanto eu fazia os ataques mais devastadores das minhas listas de combo; quantas vezes minha estratégia ia pelo ralo devido a uma pancada de um inimigo qualquer que surgia do vazio!!! Eu não poupei palavrões nestas horas!
Uma coisinha que também se atribui a câmera mas que é menos grave são algumas mudanças bruscas de ângulos de câmera durante a exploração dos cenários. Muitas vezes esta mudança de ângulo é tão brusca que agente acaba se perdendo na cena ou mesmo acaba caminhando na direção errada e agente acaba voltando para uma tela anterior. Como esse problema em si não me levava para telas de game over, ok; mas se você estiver tentando fazer um speedrun...
Outra característica negativa do jogo são os seus repentinos finais de fase: Não é possível ter noção de que uma fase esteja chegando ao seu fim (a não ser que já tenhamos passado por ela, é obvio!). É claro que aqui não caberia também fazer como nos games do Sonic e colocar uma placa enorme e amarela para alertar que chegamos ao fim né, mas algumas fases do game são bem curtinhas e acabam de modo repentino (e isso acaba atrapalhando nossa vida quando na verdade queríamos explorar um outro caminho antes de terminar!). Se isso acontecer com vocês jovens (assim como aconteceu comigo algumas vezes) não adianta chorar; será preciso repetir a fase!
Faço um adendo aqui para a galera que, assim como eu (jovem inocente!) foi tentar jogar Lords Of Shadows no computador sem usar o controle! Bem, eu pensei: Mais porcamente adaptado como Devil May Cry 4 seria impossível né – afinal, Lords Of Shadows possui câmera fixa então o mouse não fará falta! Pois é jovens, mas jogar no teclado este Castlevania é praticamente impossível (sem um truque, é claro!). Só consegui jogar no teclado porque descobri um Mod que atribui a tecla F1 a função de “girar a alavanca” que o jogo safadamente exige que façamos usando o bom e velho WASD. Eu, pessoalmente, achei impossível executar este comando sem o mod. Fica aqui o aviso de que um controle é muito recomendável para aproveitar o game de forma completa no Pc.
No conjunto da obra Castlevania Lords Of Shadows é um jogo bom e vale o título de Castlevania 3D. Apesar de suas falhas o game desenvolvido pela Mercury Steam consegue segurar o jogador por mais de 15 horas num estilo de game que dura – geralmente – 8 ou 9! O truque aqui é a bem vinda variação de cenários, aliada a uma história boa que vai se desenrolando de um modo interessante até o seu final.
Há quem reclame do título e até quem não o aceita como um autentico Castlevania, mas geralmente essa galera estava mais acostumada com os títulos da era Pós-Symphony Of The Night e, para essa galera em específico, de fato Lords Of Shadows é uma mudança bastante brusca no estilo da franquia.
Eu gostei das mudanças, reconheço os defeitos, entendo os motivos, mas em minha opinião, Lords Of Shadows vai seguir como o melhor Castlevania 3D já lançado após a era do saudoso Playstation 2 (não entra na conta o Lords Of Shadows 2 né gente, que eu ainda vou terminar e depois analisar se escrevo ou não uma crítica!). Um abraço a todos!

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